Resumo
- A ONU contabiliza 224 crianças palestinianas mortas na Cisjordânia desde Janeiro de 2023 – quase metade de todas as vítimas menores desde que começou a recolha sistemática de dados, em 2005.
- Operações militares de envergadura inédita em Jenin, Tulkarm e Nablus, uso de drones armados em zonas densamente povoadas e regras de disparo que autoridades israelitas se recusam a rever.
- Entre 15 e 21 de Julho, a OCHA registou 27 ataques de colonos que deixaram feridos, desalojados e mais de 560 árvores destruídas.
Entre Janeiro e Julho morreram, em média, mais de cinco menores por mês. Se o ritmo não abrandar, 2025 ultrapassará o recorde absoluto de 93 crianças mortas em 2024. A escalada coincide com operações militares de grande escala e com ataques de colonos cada vez mais letais.
Os números que desmentem qualquer sensação de “normalidade”
O ano ainda vai a meio e já há 38 crianças palestinianas mortas na Cisjordânia – todas baleadas ou atingidas por munição explosiva disparada por forças israelitas, segundo a Defesa das Crianças Internacional-Palestina (DCIP). dci-palestine.org Em 2024 o total fechou nos 93 menores, também um máximo histórico. dci-palestine.org
A diferença parece grande? Recorde-se que, até 6 de Fevereiro, a ONU confirmava apenas 11 vítimas infantis em 2025. OCHA Território Palestiniano Ocupado De então para cá, o saldo praticamente quadruplicou. A tendência é clara.
Porque cresce a curva tão depressa?
A ONU contabiliza 224 crianças palestinianas mortas na Cisjordânia desde Janeiro de 2023 – quase metade de todas as vítimas menores desde que começou a recolha sistemática de dados, em 2005. OCHA Território Palestiniano Ocupado Que explicação cabe em tão poucos meses? Operações militares de envergadura inédita em Jenin, Tulkarm e Nablus, uso de drones armados em zonas densamente povoadas e regras de disparo que autoridades israelitas se recusam a rever. Que futuro se pode esperar se nada mudar?
Quando o colonato vira arma de guerra
Entre 15 e 21 de Julho, a OCHA registou 27 ataques de colonos que deixaram feridos, desalojados e mais de 560 árvores destruídas. OCHA Território Palestiniano Ocupado Um desses ataques interrompeu o abastecimento de água a 100 000 pessoas em 20 aldeias do distrito de Ramallah. Já não se trata apenas de vandalismo agrícola; é uma estratégia de deslocação forçada que atinge, primeiro, as crianças. Quantas noites sem água pode aguentar um bebé?
Padrões letais: bala real e drones
No universo de 647 palestinianos mortos entre Janeiro de 2024 e Junho de 2025, 121 eram menores. OCHA Território Palestiniano Ocupado Dois terços dos óbitos resultaram de bala real; 18 % de ataques aéreos, um método praticamente ausente da Cisjordânia até 2023. Que mensagem transmite o uso de drones armados sobre campos de refugiados onde vivem dezenas de milhares de crianças?
Violência sistémica ou acidentes isolados?
Autoridades israelitas insistem em “confrontos armados” para justificar cada morte. No entanto, relatórios de terreno descrevem menores baleados nas costas, impedidos de receber socorro ou mortos em airstrikes lançados contra as suas casas. dci-palestine.orgOCHA Território Palestiniano Ocupado Não é coincidência: é padrão.
O que dizem o direito internacional e a realidade no terreno
A Convenção sobre os Direitos da Criança obriga a “protecção especial” em conflitos armados. Israel ratificou-a; viola-a todos os meses. A IV Convenção de Genebra proíbe castigos colectivos, todavia colonatos ilegais seguem a crescer numa lógica de impunidade total. Até quando pode a comunidade internacional assistir em silêncio?
Conclusão – 2025 ainda pode ser travado
Faltam cinco meses para fechar o ano. Se a média actual persistir, 2025 superará o pior registo de sempre em termos de crianças palestinianas mortas. Mas não se trata de mera aritmética; cada número tem nome, escola, família. A pergunta impõe-se: estaremos dispostos a aceitar novo recorde de sangue infantil?
Palavras-chave: crianças palestinianas; mortos 2025; violência colonos; dados OCHA; direitos humanos.