O que acontecia dentro da prisão de Caxias?

Situada às portas da capital, a prisão de Caxias tornou-se, ao longo da ditadura do Estado Novo, um dos epicentros do terror político em Portugal. Mais do que um edifício de betão e ferro, foi uma engrenagem de silenciamento e medo — onde opositores do regime eram encerrados, interrogados, torturados e isolados. Para quem lá entrou como resistente, sair de Caxias era, muitas vezes, apenas o início de um silêncio imposto pela dor.
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A rádio antes de 1974: canções proibidas, noticiários falsos e escutas atentas

A rádio antes de 1974: canções proibidas, noticiários falsos e escutas atentas - Sociedade Civil
Para milhões de portugueses, a rádio era, até ao 25 de Abril de 1974, mais do que um electrodoméstico. Era um espelho deformado da realidade e, em alguns casos, uma janela entreaberta para o mundo exterior. Sob o Estado Novo, a emissão sonora era um território fértil de propaganda, censura e resistência. A voz que saía do aparelho podia trazer conforto — ou controlo. Dependia da frequência.
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 Os livros que não podias ter em casa: censura literária e bibliotecas clandestinas

 Os livros que não podias ter em casa: censura literária e bibliotecas clandestinas - Sociedade Civil
Em muitas casas portuguesas antes de 1974, havia prateleiras com espaço a mais. E não por falta de gosto pela leitura — mas pelo medo de guardar certos títulos. Durante os 48 anos do Estado Novo, centenas de livros foram proibidos, censurados ou mutilados. Ter um exemplar do Manifesto Comunista, de um romance de Jorge Amado, ou de um poema de Ary dos Santos podia ser suficiente para uma visita da PIDE. E bastava isso para transformar o gosto literário em delito político.
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Como era a escola durante o Estado Novo?

Como era a escola durante o Estado Novo? - Sociedade Civil
A escola portuguesa durante o Estado Novo era muito mais do que um espaço de aprendizagem: era um instrumento de moldagem ideológica ao serviço do regime. A doutrina salazarista infiltrava-se nas salas de aula com a mesma subtileza e rigidez com que dominava o país — controlando o que se podia ensinar, como se ensinava e, sobretudo, o que se devia omitir.
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Pide: Porque é que tantos portugueses fingiam que nada acontecia?

“Não se falava disso.” Esta frase, repetida à exaustão por quem viveu sob o Estado Novo, não é apenas uma constatação — é um código. Durante quase meio século de ditadura, o silêncio tornou-se uma forma de defesa e, em muitos casos, de sobrevivência. Mas por que razão tantos portugueses, confrontados com a censura, a repressão e os abusos da PIDE, escolheram o fingimento? Que dinâmicas sociais, culturais e psicológicas sustentaram esse manto de normalidade aparente?
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Como se apagava alguém do mapa antes de 1974: exílio, prisão e desaparecimento

Como se apagava alguém do mapa antes de 1974: exílio, prisão e desaparecimento - Sociedade Civil
Nos anos escuros do Estado Novo, desaparecer em Portugal podia significar muitas coisas — menos a morte oficial. O regime não precisou de valas comuns para exercer controlo absoluto: bastava-lhe o silêncio administrativo, a prisão sem acusação, o exílio forçado, a difamação metódica e a destruição lenta da reputação. “Apagar” um cidadão não implicava necessariamente o seu fim físico — mas a sua eliminação simbólica, social e política.
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A PIDE batia à porta de noite: relatos reais de detenções arbitrárias

A PIDE batia à porta de noite: relatos reais de detenções arbitrárias - Sociedade Civil
O relógio marcava quase três da manhã quando o estrondo na porta ecoou pela casa de paredes finas. “É a polícia!”, gritou a mãe, ao levantar-se num salto. O pai, militante sindical, já dormia vestido. Naquela época, saber que podiam vir buscar-nos era tão certo como a missa ao domingo. Era assim que a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) operava: na calada da noite, sem aviso, sem mandado judicial, sem defesa possível.
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Cartas abertas, telefones vigiados e informadores em todo o lado: o quotidiano da suspeita

Cartas abertas, telefones vigiados e informadores em todo o lado: o quotidiano da suspeita - Sociedade Civil
Durante décadas, os portugueses viveram num país onde cada palavra podia ser vigiada, cada gesto interpretado, cada silêncio mal compreendido. Sob o Estado Novo, a vigilância era uma teia apertada que não se via, mas sentia-se em cada canto: nas conversas murmuradas, nas cartas lidas antes de chegarem ao destinatário, no clique estranho ao telefone que denunciava uma escuta. A repressão, embora nem sempre visível, era permanente e psicológica. E isso bastava para domesticar a maioria.
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Como era viver com medo de ser denunciado à PIDE?

Durante quase meio século, Portugal viveu sob a sombra de um regime que cultivava o medo como ferramenta de controlo. No quotidiano da ditadura salazarista, o silêncio era um reflexo de sobrevivência e a desconfiança um instinto vital. A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), braço repressivo do Estado Novo, infiltrava-se nas ruas, nas casas e até nas conversas mais banais. Qualquer palavra fora do tom podia ser interpretada como delito. E qualquer cidadão podia ser denunciado — por um vizinho, um colega ou até por alguém da própria família.
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Dinheiro da mentira: quem lucra com a economia da atenção em Portugal e no resto do mundo

A desinformação não vive só de cliques: vive de euros, dólares e milhões de impressões publicitárias que circulam pela teia opaca da AdTech. Em 2024, o investimento mundial em publicidade digital bateu os 259 mil milhões de dólares — mais 15 % do que no ano anterior, segundo o relatório anual da IAB IAB. Uma fatia substancial desse bolo escorre para sítios que espalham rumores, teorias da conspiração e notícias fabricadas. Quem paga a conta? E como se repartem os lucros do engano?
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