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Como se apagava alguém do mapa antes de 1974: exílio, prisão e desaparecimento
Nos anos escuros do Estado Novo, desaparecer em Portugal podia significar muitas coisas — menos a morte oficial. O regime não precisou de valas comuns para exercer controlo absoluto: bastava-lhe o silêncio administrativo, a prisão sem acusação, o exílio forçado, a difamação metódica e a destruição lenta da reputação. “Apagar” um cidadão não implicava necessariamente o seu fim físico — mas a sua eliminação simbólica, social e política.
Fé vs. Populismo: A Guerra Silenciosa na Igreja Portuguesa
Sob a superfície serena da Igreja Católica em Portugal, cresce uma tensão cada vez mais difícil de disfarçar: o crescimento político do Chega tem gerado divisões internas, inquietações doutrinais e um incómodo moral profundo. Entre os bancos das igrejas, nos corredores das paróquias e até no seio da hierarquia episcopal, desenha-se uma guerra não declarada — entre a fidelidade ao Evangelho e a tentação do populismo.
A PIDE batia à porta de noite: relatos reais de detenções arbitrárias
O relógio marcava quase três da manhã quando o estrondo na porta ecoou pela casa de paredes finas. “É a polícia!”, gritou a mãe, ao levantar-se num salto. O pai, militante sindical, já dormia vestido. Naquela época, saber que podiam vir buscar-nos era tão certo como a missa ao domingo. Era assim que a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) operava: na calada da noite, sem aviso, sem mandado judicial, sem defesa possível.