Resumo
- Em 17 de junho de 2025, a Polícia Judiciária desmantelou uma célula da Movimento Armilar Lusitano (MAL), com a apreensão de armas de fogo — inclusive impressas em 3D — explosivos, munições e a detenção de seis pessoas, entre as quais um agente da autoridade apnews.
- A Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) alerta para um aumento acentuado do discurso de ódio em Portugal, sobretudo online e também na retórica inflamada de políticos de extrema‑direita expresso.
- No entanto, em meados de 2024, relatos indicaram a omissão de capítulos sobre extremismo de direita nos RASI seguintes, gerando críticas à falta de transparência governamental e reforçando a noção de que o fenómeno está a ser minimizado.
Nos últimos meses, Portugal tem assistido a um repentino aumento da criminalidade ligada à extrema‑direita — com ataques físicos, incitamento ao ódio e tentativas de formar milícias armadas. Episódios registados entre junho de 2024 e junho de 2025 mostram um padrão preocupante de violência motivada por nacionalismo, xenofobia e racismo, impulsionada por novas dinâmicas políticas e digitais.
Violência nas ruas: três agressões em cinco dias
Entre os dias 12 e 16 de junho de 2025, três ataques em Lisboa, Porto e Guimarães assinalaram uma ronda de violência neonazi:
- Em Lisboa, o ator Adérito Lopes sofreu uma fratura no maxilar após ser agredido por um grupo neonazi enquanto se preparava para representar Camões no Dia de Portugal expresso.pt+3facebook.com+3rfi.fr+3expresso.ptrr.pt+3portaltela.com+3esquerda.net+3rr.pt+2oglobo.globo.com+2portaltela.com+2.
- No Porto, voluntárias que distribuíam alimentos a pessoas sem-abrigo foram atacadas por alegados supremacistas brancos anti‑imigração portaltela.com+3oglobo.globo.com+3expresso.pt+3.
- Em Guimarães, um ativista antifascista, acompanhado por mensagens de ódio racial deixadas nas redondezas, foi vítima de agressão com ferimentos graves rfi.fr+14esquerda.net+14portaltela.com+14.
Estas três agressões num curto espaço temporal demonstram não só a escalada da violência como a sensação de impunidade dos agressores .
Milícia desmantelada: Movimento Armilar Lusitano
Em 17 de junho de 2025, a Polícia Judiciária desmantelou uma célula da Movimento Armilar Lusitano (MAL), com a apreensão de armas de fogo — inclusive impressas em 3D — explosivos, munições e a detenção de seis pessoas, entre as quais um agente da autoridade apnews.com+1huffingtonpost.es+1.
O grupo buscava criar uma milícia armada para promover ações contra imigrantes e instituições Democráticas; todo o processo tem contornos terroristas e incitadores ao ódio. As autoridades compararam o MAL a movimentos semelhantes, como os “Reich Citizens” da Alemanha apnews.com.
Discurso de ódio e legitimação política
- A Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) alerta para um aumento acentuado do discurso de ódio em Portugal, sobretudo online e também na retórica inflamada de políticos de extrema‑direita expresso.pt+1pt.wikipedia.org+1.
- Os crimes de incitamento à violência e ao ódio “aumentaram mais de 200 %” nos últimos cinco anos, conforme reporta a TSF .
- A crescente influência do partido Chega, que quadruplicou os seus deputados em 2024, confere uma
validação institucional ao sentimento nacionalista e racista rfi.fr+8pt.wikipedia.org+8repositorium.sdum.uminho.pt+8huffingtonpost.es.
Falhas institucionais e silenço oficial
O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) para 2023 alertava para a retomada da atividade de grupos neonazis e identitários em Portugal oglobo.globo.com+5rr.pt+5pt.wikipedia.org+5.
No entanto, em meados de 2024, relatos indicaram a omissão de capítulos sobre extremismo de direita nos RASI seguintes, gerando críticas à falta de transparência governamental e reforçando a noção de que o fenómeno está a ser minimizado.
Causas e mecanismos de expansão
- Validação política e social
O ascenso do Chega cria legitimidade para grupos radicais, que se sentem impulsionados a transitar da internet para ações concretas. - Radicalização digital
Organizações como o Reconquista e a célula 1143 utilizam redes sociais (Telegram, TikTok) para influenciar jovens pt.wikipedia.org+1rr.pt+1. - Instrumentalização do ódio
Alvos preferenciais: migrantes, pessoas ciganas, LGBTI+ e negros — conforme apontam ECRI e estudos nacionais expresso.pt.
Testemunhos e indignação pública
Vítimas relatam “perseguição que já durava há um ano”, como disse Ricardo, ativista antifascista agredido em Lisboa expresso.pt+2oglobo.globo.com+2portaltela.com+2.
Em Guimarães, familiares da vítima falam em agressão “barbaramente” motivada por ideologia xenófoba .
Em resposta, “milhares por Portugal inteiro” manifestaram-se contra a violência neonazi esquerda.net — expressando o repúdio nacional.
Conclusão
O alarmante registo recente de agressões, incitamento ao ódio e formação de grupos paramilitares revela uma crise democrática e social. As consequências vão além do imediatismo criminal — ferindo os pilares da igualdade e da convivência cívica em Portugal.
É urgente:
- restaurar a presença do extremismo no RASI, reafirmando a verdade institucional,
- reforçar a legislação para criminalizar o discurso de ódio,
- intensificar investigações e processos judiciais para garantir responsabilização,
- promover educação cívica, tolerância e integração comunitária.
Sem uma reação decidida, o fenómeno pode consolidar-se. A pergunta que colocamos é simples: vamos tolerar a violência da extrema‑direita ou agir agora pela democracia?