Pode uma ideia unir uma nação e, ao mesmo tempo, justificar a exclusão? A identidade nacional, frequentemente evocada como património cultural ou símbolo de soberania, é, nas mãos da extrema-direita, convertida em arma política. Serve para definir fronteiras simbólicas entre “os de dentro” e “os de fora”, e transforma diferenças sociais ou culturais em ameaças existenciais. Esta operação simbólica sustenta um dos pilares do discurso extremista contemporâneo: a xenofobia — refinada, embutida no vocabulário nacionalista e apresentada como defesa da “civilização” ou “modo de vida”.
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O Exército nas Sombras: Grupos de Extrema-Direita Recrutam Jovens por Toda a Europa
Redes sociais, desporto de combate e “acampamentos culturais” disfarçam um projecto de radicalização que ameaça a segurança interna do continente. A nova geração do extremismo europeu já está em marcha.
O fascismo não morreu: Ideologia do século XX persiste nas democracias do século XXI
Um século após a ascensão de Mussolini ao poder em Itália, o fascismo continua vivo – não nos desfiles de camisas negras nem nas saudações romanas, mas sob novas formas, com novas linguagens, adaptado aos tempos digitais. A ideologia autoritária, ultranacionalista e antidemocrática que moldou a história europeia do século XX ressurge hoje sob máscaras populistas, discursos de ódio e redes sociais envenenadas.
“Ecos nazificantes” na democracia portuguesa? O caso do CHEGA sob escrutínio histórico
O termo “ecos nazificantes” designa fenómenos políticos contemporâneos que, sem se assumirem abertamente como herdeiros do nazismo ou fascismo, reproduzem elementos estruturais dessas ideologias: desumanização do “outro”, culto da autoridade, apelo ao ressentimento nacional e recurso sistemático à manipulação simbólica. Em regimes democráticos, estes ecos surgem travestidos de discurso legalista, patriótico ou anti-establishment, disfarçando a vocação autoritária com roupagens eleitorais. Portugal não está imune. O crescimento do CHEGA — partido liderado por André Ventura — impõe uma reflexão crítica sobre a persistência e adaptação de retóricas que evocam, ainda que com disfarces, o passado mais sombrio da Europa do século XX.
Raízes históricas da extrema-direita: o velho espectro que volta a assombrar a Europa
Quem são, de onde vêm e por que continuam a crescer? O ressurgimento da extrema-direita no século XXI, longe de ser um fenómeno espontâneo ou marginal, é alimentado por raízes fundas que se entrelaçam com crises cíclicas do capitalismo, traumas mal resolvidos da história europeia e um descontentamento social que as democracias liberais não conseguiram canalizar. Hoje, partidos com discursos radicais ascendem em urnas democráticas por toda a Europa — de Le Pen a Meloni, de Orbán a Abascal — com uma retórica que ecoa, em surdina ou à superfície, o ideário fascista do século passado.
Make Europe Great Again? A Nova Internacional Reacionária
De Budapeste a Mar-a-Lago, passando por Paris, Varsóvia ou Roma, uma teia de alianças une líderes iliberais e populistas num projeto transnacional que visa desconstruir a ordem liberal internacional. Sob o lema implícito de “Make Europe Great Again”, figuras como Viktor Orbán, Marine Le Pen, Giorgia Meloni e Donald Trump articulam uma narrativa comum: soberania, tradição, identidade. Mas que Europa emerge deste conluio?
Patriotas ou Predadores? O Plano da Direita Radical para Desfigurar a Europa
Com o surgimento do grupo Patriotas pela Europa (PfE), a extrema-direita europeia consolida um novo centro de gravidade político. Sob a liderança de Viktor Orbán, Jordan Bardella e partidos como o Chega, esta coligação visa remodelar o projeto europeu a partir de valores iliberais. Qual é o plano? Quem são os protagonistas? E que Europa pretendem?
Católicos Contra o Medo: Como a Fé Está a Vacinar Portugal Contra o Ódio
Movimentos paroquiais, catequistas e grupos de jovens levam o Evangelho às periferias…
Sociedade civil resiste ao ódio: movimentos humanistas contra-atacam radicalização na europa
De Lisboa a Varsóvia, crescem iniciativas locais que promovem empatia, justiça social e reconstrução comunitária — “A ética também é uma força política”, dizem activistas.
E Se o Humanismo Fosse Voto?
Numa era dominada por discursos de medo, exclusão e violência simbólica, o humanismo parece ter sido relegado para as margens do debate político. A ascensão da extrema-direita em Portugal, com o Chega à cabeça, trouxe para o centro da arena pública uma retórica baseada na punição, na pureza nacional e na suspeição do outro. Mas e se, por uma vez, pensássemos o contrário? E se o humanismo deixasse de ser apenas um princípio ético ou um ideal filosófico e se tornasse um programa político? Um voto.