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Resumo

  • De Budapeste a Mar-a-Lago, passando por Paris, Varsóvia ou Roma, uma teia de alianças une líderes iliberais e populistas num projeto transnacional que visa desconstruir a ordem liberal internacional.
  • A sua força reside na persistência e na ressonância que encontram em contextos de insegurança económica e identitária.
  • O seu crescimento testa os anticorpos democráticos da União Europeia e desafia a comunidade internacional a responder não com nostalgia, mas com renovação.


De Budapeste a Mar-a-Lago, passando por Paris, Varsóvia ou Roma, uma teia de alianças une líderes iliberais e populistas num projeto transnacional que visa desconstruir a ordem liberal internacional. Sob o lema implícito de “Make Europe Great Again”, figuras como Viktor Orbán, Marine Le Pen, Giorgia Meloni e Donald Trump articulam uma narrativa comum: soberania, tradição, identidade. Mas que Europa emerge deste conluio?


A nova frente global da extrema-direita

A década de 2020 assistiu ao reforço de contactos e eventos conjuntos entre líderes reacionários. O CPAC (Conservative Political Action Conference), em Budapeste, tornou-se palco anual desta confluência ideológica. Steve Bannon, ex-estratega de Trump, atua como ideólogo e catalisador dessa “internacional da contra-revolução”.


A cartografia de um eixo iliberal

  • Estados Unidos – Trump regressa ao centro da disputa presidencial com promessas de isolamento e reforço dos laços com Orbán.
  • França – Le Pen, apesar de derrotas eleitorais, normalizou o discurso ultranacionalista.
  • Itália – Meloni governa numa coligação conservadora onde o discurso identitário é central.
  • Hungria e Polónia – Epicentros de políticas anti-imigração, anti-LGBTQI+ e de revisão constitucional.
  • Portugal – O Chega procura posicionar-se como ponte atlântica, promovendo contactos com republicanos norte-americanos e partidos da AfD alemã.

Estratégias e armas

A “internacional reacionária” opera em várias frentes:

  • Cultural – promoção de institutos e fundações que difundem valores “tradicionalistas”.
  • Digital – uso intensivo de plataformas para desinformação e manipulação emocional.
  • Política – pressão sobre instituições multilaterais e alianças táticas dentro do Parlamento Europeu.

Impacto geoestratégico

O Instituto de Assuntos Internacionais e Europeus (IIEA) alerta: estas redes não se limitam a discursos inflamados — estão a infiltrar-se em universidades, editoras, grupos religiosos e think tanks. A sua força reside na persistência e na ressonância que encontram em contextos de insegurança económica e identitária.


Reações da sociedade civil

Organizações de defesa da democracia denunciam o desmantelamento progressivo de garantias civis. A mobilização cidadã ainda não acompanha o ritmo da ofensiva conservadora — mas começam a surgir iniciativas paneuropeias de resistência.


Conclusão

“Make Europe Great Again” é mais do que um slogan: é um projeto ideológico coerente, com raízes transatlânticas e ambições globais. O seu crescimento testa os anticorpos democráticos da União Europeia e desafia a comunidade internacional a responder não com nostalgia, mas com renovação.

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