Resumo
- Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a escassez resulta de uma combinação de bloqueios à entrada de mercadorias, destruição de armazéns e sobrecarga do sistema de saúde causada por meses de conflito.
- Os profissionais de saúde alertam ainda para o aumento de amputações e mortes por feridas não tratadas, bem como para a ameaça de surtos de doenças como diarreia e sarampo, que requerem vacinas e antibióticos hoje indisponíveis.
- Enquanto o impasse político mantém fechadas as rotas de abastecimento, médicos e pacientes vivem na expectativa de que a próxima remessa de ajuda chegue a tempo — e não tarde demais.
Lisboa, 10 ago 2025 – Hospitais em Gaza operam no limite após a rutura de 60% dos medicamentos essenciais, alertou a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). Antibióticos, tratamentos para hipertensão, insulina e fármacos para doenças infantis estão entre os produtos indisponíveis, colocando milhares de vidas em risco imediato.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a escassez resulta de uma combinação de bloqueios à entrada de mercadorias, destruição de armazéns e sobrecarga do sistema de saúde causada por meses de conflito. “Temos de escolher quem recebe tratamento e quem é enviado para casa sem medicação”, disse à Lusa um médico do Hospital Al-Shifa, que preferiu não ser identificado por questões de segurança.
Doenças comuns, consequências mortais
Patologias tratáveis, como infeções respiratórias ou hipertensão, tornam-se potencialmente fatais quando não há medicamentos. No campo de refugiados de Rafah, mães relatam não conseguir antitérmicos para as crianças. “O meu filho tem febre há quatro dias e não há nada para lhe dar”, contou uma residente de 32 anos.
Os profissionais de saúde alertam ainda para o aumento de amputações e mortes por feridas não tratadas, bem como para a ameaça de surtos de doenças como diarreia e sarampo, que requerem vacinas e antibióticos hoje indisponíveis.
Impacto sobre hospitais e clínicas
De acordo com a UNRWA, 60% das suas instalações de saúde estão danificadas ou inutilizáveis. Clínicas improvisadas em abrigos de deslocados funcionam sem equipamentos adequados, recorrendo a métodos ultrapassados para esterilização e à reutilização de material descartável. “Não é só a falta de medicamentos; faltam-nos condições básicas para tratar pacientes com dignidade”, afirmou uma enfermeira da cidade de Khan Younis.
Urgência de corredores humanitários
A OMS e a UNRWA insistem na criação imediata de corredores humanitários seguros e contínuos para abastecer Gaza. Organizações não-governamentais alertam que cada semana sem entrada de medicamentos aumenta o risco de colapso total do sistema de saúde e de uma crise sanitária de grandes proporções.
Enquanto o impasse político mantém fechadas as rotas de abastecimento, médicos e pacientes vivem na expectativa de que a próxima remessa de ajuda chegue a tempo — e não tarde demais.