Resumo
- O custo anual associado ao Chega no Parlamento, considerando vencimentos e ajudas dos 60 deputados, subvenção partidária e apoio ao grupo parlamentar, ronda 11,9 milhões de euros.
- 881 votos nas legislativas de 2025 e um valor líquido por voto próximo de 3,48 euros, o Chega passa a receber cerca de 5,01 milhões de euros por ano.
- Já a subvenção partidária e a verba do grupo parlamentar entram na esfera de decisão política e administrativa do partido e da bancada.
O custo anual associado ao Chega no Parlamento, considerando vencimentos e ajudas dos 60 deputados, subvenção partidária e apoio ao grupo parlamentar, ronda 11,9 milhões de euros.
A conta divide-se em três blocos. O primeiro são os custos dos deputados: vencimentos, despesas de representação e ajudas de custo. Usando uma estimativa média de cerca de 87 mil euros anuais por deputado em rubricas directas, uma bancada de 60 deputados representa perto de 5,2 milhões de euros por ano.
O segundo bloco é a subvenção pública anual ao partido. Com 1.437.881 votos nas legislativas de 2025 e um valor líquido por voto próximo de 3,48 euros, o Chega passa a receber cerca de 5,01 milhões de euros por ano.
O terceiro bloco é a subvenção ao grupo parlamentar: quatro vezes o IAS mais metade do IAS por deputado, por mês. Com o IAS de 2025 em 522,50 euros, o valor é 2.351,25 euros mensais por deputado. Para 60 deputados, dá cerca de 1,69 milhões de euros por ano.
O que é custo estrutural
Nem todo este dinheiro “vai para o Chega”. Vencimentos e ajudas de custo pagam mandatos parlamentares. Qualquer partido com 60 deputados geraria despesa semelhante. A representação política tem custos fixos, e esses custos resultam da escolha dos eleitores.
Já a subvenção partidária e a verba do grupo parlamentar entram na esfera de decisão política e administrativa do partido e da bancada. São verbas públicas, sujeitas a prestação de contas, mas usadas para funcionamento, assessoria e actividade política.
A pergunta que fica
O número não prova abuso. Prova escala. O Chega tornou-se uma grande força parlamentar e passou a custar como grande força parlamentar. A tensão está noutro ponto: o partido que mais denuncia a despesa pública vive agora de um sistema público de financiamento que não recusou.
Daquela promessa de cortar a dependência do Estado, resta uma pergunta simples: começa nos outros ou começa em casa?