Quanto custa um deputado em 2025: a fatura completa da Assembleia da República - Sociedade Civil
Partilha

Resumo

  • O custo directo médio de um deputado da Assembleia da República supera os 87 mil euros anuais quando se somam vencimento, despesas de representação e ajudas de custo médias.
  • O vencimento ilíquido base de um deputado em regime de exclusividade ronda os 4.
  • Numa repartição simples, um deputado custa por mês o equivalente a duas vagas de funcionário público em início de carreira.

O custo directo médio de um deputado da Assembleia da República supera os 87 mil euros anuais quando se somam vencimento, despesas de representação e ajudas de custo médias.

O número desmonta-se em três blocos. O vencimento ilíquido base de um deputado em regime de exclusividade ronda os 4.185 euros mensais em 2025. Em 14 mensalidades, aproxima-se de 58.600 euros por ano. Sem exclusividade, o valor baixa.

Acrescem despesas de representação. Para deputados sem cargos específicos, o valor ronda 10% do vencimento. Quem preside a comissões, lidera grupos parlamentares ou integra a Mesa da Assembleia recebe mais.

O que não paga IRS

A terceira rubrica — ajudas de custo — é a menos conhecida. Em 2023, dados divulgados publicamente indicavam uma média anual próxima de 29 mil euros por deputado em alojamento, alimentação e deslocações. Parte relevante destes valores é isenta de IRS quando cumpre as regras legais.

A diferença entre deputados da Grande Lisboa e deputados de fora da área metropolitana é significativa. Os apoios dependem da presença em plenários, comissões e trabalhos parlamentares. Quando não há actividade parlamentar, não há a mesma despesa diária.

A conta invisível

Há ainda custos indirectos. Cada grupo parlamentar tem verbas próprias para assessoria e funcionamento. Cargos específicos podem ter viatura oficial. Há comunicações, deslocações em serviço e apoio técnico. Nem tudo aparece na folha individual do deputado.

Numa repartição simples, um deputado custa por mês o equivalente a duas vagas de funcionário público em início de carreira. Não é um juízo moral. É um rácio. O eleitor pode considerar que a representação política justifica a despesa. Também pode exigir mais qualidade pelo preço que paga.

A democracia não é grátis. A mediocridade parlamentar também não.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

You May Also Like

Criminalidade geral desce 4,6 % em 2024: tendência ou flutuação pós-pandemia?

Partilha
Partilha Resumo A inteligência artificial, o uso de técnicas de phishing e…

Unidade da esquerda contra Ventura: consegue unir-se para governar?

Partilha
Partilha Resumo exige pactos sobre impostos, sobre despesa, sobre migrações, sobre segurança,…

Sem Estado Social, Quem Fica para Trás?

Partilha
Imagine um país sem creches públicas, sem escolas gratuitas, sem hospitais acessíveis, sem pensões, sem subsídios de desemprego, sem apoios à deficiência ou à habitação. Parece cenário distópico, mas é a pergunta que o relatório Portugal, Balanço Social 2024 nos convida a fazer: o que aconteceria sem o Estado social? A resposta é curta — quase metade da população viveria em pobreza.

Igrejas evangélicas brasileiras em Portugal: o mapa de um crescimento que mudou o país religioso em dez anos

Partilha
O estudo da Aliança Evangélica Portuguesa mostra um crescimento expressivo das igrejas evangélicas em Portugal. A maioria das novas igrejas é liderada por brasileiros, mas a maioria dos novos convertidos nasceu em Portugal.