Resumo
- Lisboa, 13 de Junho de 2025 — De Norte a Sul, milhares de fiéis, paróquias e movimentos católicos recusam que a cruz seja bandeira de xenofobia.
- Em 2019, o então bispo de Leiria-Fátima, cardeal António Marto, advertiu que a democracia “não pode ser dada por adquirida” diante das “ondas de choque populistas” que varrem a Europa, aludindo à entrada do Chega no Parlamento(dn.
- Quando o Chega convocou, em 2024, uma marcha “contra a imigração descontrolada” justamente no Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, a OCPM repudiou a iniciativa por “instrumentalizar politicamente as migrações”(cmjornal.
Do clero às bancadas das praças públicas, a fé ergue-se contra o ódio.
Lisboa, 13 de Junho de 2025 — De Norte a Sul, milhares de fiéis, paróquias e movimentos católicos recusam que a cruz seja bandeira de xenofobia. Nos púlpitos, nos manifestos e nas ruas, a comunidade cristã portuguesa assume-se como baluarte democrático, denunciando propostas que estigmatizam migrantes e minorias. Quem são, o que defendem e como atuam estes crentes que barram a ascensão da extrema-direita?
Vozes da hierarquia ecoam nas paróquias
Em 2019, o então bispo de Leiria-Fátima, cardeal António Marto, advertiu que a democracia “não pode ser dada por adquirida” diante das “ondas de choque populistas” que varrem a Europa, aludindo à entrada do Chega no Parlamento(dn.pt). Três anos depois, Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), classificou como “muito grave” o crescimento de discursos racistas na política, sublinhando que tal retórica “não respeita os valores cristãos”(expresso.pt).
O alerta ganhou novo fôlego em 2024, quando D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, saudou a manifestação “Não nos encostem à parede” como “ato de não resignação” contra o racismo, convidando os católicos a caminhar “com sede de um mundo melhor”(24.sapo.pt). Que sinal mais forte poderia a Igreja dar?
Movimentos católicos na linha da frente
A rejeição traduz-se em ação. Quando o Chega convocou, em 2024, uma marcha “contra a imigração descontrolada” justamente no Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, a OCPM repudiou a iniciativa por “instrumentalizar politicamente as migrações”(cmjornal.pt). Na mesma linha, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) advertiu, já em 2021, para os “ventos de racismo e xenofobia” que sopravam no país, exortando à “cultura do cuidado” proposta pelo Papa Francisco(vaticannews.va).
Grupos de jovens, equipas paroquiais de catequese, Cáritas e Serviço Jesuíta aos Refugiados promovem oficinas de direitos humanos, campanhas de acolhimento e apoio jurídico a requerentes de asilo. Uma surpresa? Nem por isso!
Ruas que falam — e rezam
Em Janeiro passado, a marcha “Não nos encostem à parede” encheu o coração de Lisboa com cartazes onde se lia “Amar o próximo não tem fronteiras”. A RTP estimou “milhares” de participantes, muitos identificados como católicos, religiosos incluídos(rtp.pt). O protesto reagiu à operação policial que perfilou imigrantes contra um muro no Martim Moniz e transformou-se num hino cívico à dignidade humana.
Poucos dias depois, D. Januário Torgal Ferreira lembrava, na SIC Notícias, que o líder do Chega, após ter atacado o Papa em 2020, passou a elogiá-lo após a sua morte: “Hipocrisia que dói”, disparou o bispo emérito(noticiasaominuto.com). O recado soou em uníssono com a indignação popular.
Leigos engajados: fé pública, democracia viva
Presidentes de associações católicas, jornalistas, teólogos e até o Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, citam a Doutrina Social da Igreja para condenar a exclusão étnica. Articulistas como José Tolentino Mendonça escrevem que “não há cristianismo legítimo onde houver supremacia racial”. E as redes sociais católicas desfazem, em linguagem simples, a falsa ideia de que o voto extremista defende a “civilização cristã”. Afinal, como amar a Deus sem acolher o estrangeiro?
Porque importa?
A tensão pré-eleitoral intensifica o risco de manipular símbolos religiosos. Contudo, a resposta católica mostra-se clara: o Evangelho impele à hospitalidade, não à construção de muros. Ao erguer-se contra a extrema-direita, o catolicismo português reafirma-se como guardião da democracia e da igualdade. Poderá esta postura abalar o fascínio populista junto de fiéis menos informados? A próxima campanha revelará.
Por ora, a mensagem soa alta nos sinos e nas praças: “Fé sem amor não vale de nada.” Emoji de velas acesas 🕯️ ilumina as redes, lembrando que a Luz não pactua com as trevas.