Os Sobreviventes Esquecidos: Quem São as Vítimas da PIDE em Moçambique?

O corpo tremia, mesmo meio século depois. À porta da sua casa nos arredores de Maputo, Adelino Tivane, hoje com 84 anos, segura uma fotografia amarrotada de juventude. “Foi antes de me levarem. Só porque me viram numa reunião da cooperativa”, murmura. Durante três meses em 1973, esteve preso sem julgamento numa cela da PIDE em Nampula. Saiu com ossos partidos, dois dentes a menos e o silêncio como única herança. Nunca teve indemnização, pedido de desculpa ou reconhecimento.
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Terror em Moçambique: O Dossier Negro da PIDE que Portugal Quis Esquecer

Torturas, desaparecimentos forçados, prisões arbitrárias, vigilância totalitária. Os documentos agora redescobertos nas doze caixas da PIDE/DGS não deixam margem para dúvidas: a repressão colonial portuguesa em Moçambique foi metódica, brutal e sistemática. O que estes arquivos revelam é mais do que episódios isolados de violência – é um sistema construído para esmagar qualquer resistência à ocupação.
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A Comissão Oculta: A Verdadeira Comissão de Verdade Portuguesa de 1974

Poucos portugueses sabem que o país teve, formalmente, algo parecido com uma comissão de verdade sobre os crimes da ditadura. E ainda menos conhecem a sua existência no contexto colonial. Foi uma comissão militar, criada no rescaldo do 25 de Abril de 1974, para investigar os abusos da PIDE/DGS em Moçambique. Tinha poderes extraordinários, acedia a documentos secretos e ouvia testemunhos de vítimas. No entanto, o seu trabalho caiu rapidamente no esquecimento. Nunca publicou conclusões públicas. Nunca produziu julgamentos duradouros. Foi, de certa forma, a comissão que Portugal preferiu esquecer.
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O Cartel dos Estafetas: Como Delivery Hero e Glovo Tentaram Dominar a Europa

Num dos mais sonoros casos antitruste dos últimos anos, a Comissão Europeia aplicou, em Julho de 2024, uma multa de 329 milhões de euros à Delivery Hero e à Glovo. A acusação? Formação de um cartel digital destinado a limitar a concorrência e controlar artificialmente o mercado da entrega de refeições em sete países da União Europeia. Em Portugal, as consequências foram menos visíveis, mas igualmente devastadoras: menos alternativas para os consumidores e um mercado laboral enredado em práticas abusivas.
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