Gaza e Cisjordânia: o último mês de operações militares israelitas em números - Sociedade Civil
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Resumo

  • Pelo menos 13 palestinianos foram mortos e cerca de 500 ficaram feridos em ataques de colonos israelitas na Cisjordânia nos primeiros cinco meses de 2026, segundo um comunicado conjunto de 13 relatores especiais das Nações Unidas divulgado a 1 de junho.
  • Os ataques de colonos, segundo a ONU, são levados a cabo "com o apoio e a aquiescência do Estado de Israel".
  • A coincidência temporal entre o alerta da ONU sobre violência e a decisão do parlamento de premiar fiscalmente os colonatos é o tipo de facto que dispensa adjetivos.

Violência de colonos atinge níveis recordes na Cisjordânia, com aval do Estado de Israel

Pelo menos 13 palestinianos foram mortos e cerca de 500 ficaram feridos em ataques de colonos israelitas na Cisjordânia nos primeiros cinco meses de 2026, segundo um comunicado conjunto de 13 relatores especiais das Nações Unidas divulgado a 1 de junho. Os peritos descrevem o ano como o mais violento de que há registo.

O número, por si só, mede mal o que está em causa. Os relatores — entre eles Francesca Albanese, relatora para os direitos humanos no território palestiniano ocupado — não falam de incidentes avulsos. Falam de um sistema. A violência, escrevem, funciona como "instrumento de coação nas mãos da potência ocupante", usado para empurrar comunidades inteiras para fora da terra.

Um padrão, não uma série de acidentes

A tese central do comunicado é incómoda porque desloca a responsabilidade. Os ataques de colonos, segundo a ONU, são levados a cabo "com o apoio e a aquiescência do Estado de Israel". Não seriam, portanto, o produto de extremistas à margem da lei, mas uma engrenagem tolerada — e, em parte, alimentada — pelo aparelho estatal.

A acusação ganhou peso três dias depois. A 4 de junho, o Knesset aprovou uma lei que concede benefícios fiscais a dezenas de colonatos da Cisjordânia. A coincidência temporal entre o alerta da ONU sobre violência e a decisão do parlamento de premiar fiscalmente os colonatos é o tipo de facto que dispensa adjetivos.

A pergunta óbvia é se a aprovação fiscal prova a cumplicidade que a ONU alega. Não prova — uma medida orçamental e uma onda de violência podem coincidir sem que uma cause a outra. Mas a concomitância é, no mínimo, um indício de que a expansão dos colonatos não enfrenta resistência do Estado. Enfrenta o contrário.

Onde a terra está em jogo

A violência concentra-se na Área C, a fatia da Cisjordânia sob controlo militar e civil israelita pleno. É ali que as comunidades palestinianas estão mais expostas, sobretudo no Vale do Jordão e nas colinas a sul de Hebron. Em lugares como Masafer Yatta, os relatores descrevem raides quase diários de colonos e forças israelitas como rotina.

Os números da OCHA, o gabinete humanitário da ONU, dão a escala do fenómeno mais largo. Até 5 de maio de 2026, 45 palestinianos tinham sido mortos na Cisjordânia por forças israelitas ou colonos. No mesmo período, foram demolidas 636 estruturas e deslocados 916 palestinianos. A 16 de maio, 137 pessoas — 81 delas crianças — foram expulsas da zona de Jiljiliya após um ataque de colonos em larga escala.

Há uma mecânica recorrente nestes casos, identificada pelos peritos: primeiro instala-se um novo posto avançado de colonos, depois vêm os cortes de água e eletricidade, as demolições, os ataques. No fim, a comunidade parte. Desde 2023, segundo a ONU, esta sequência precedeu transferências forçadas de população em várias localidades.

A moldura jurídica que Israel contesta

Tudo isto se desenrola sobre um pano de fundo legal claro. Em julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça emitiu um parecer consultivo sobre a ilegalidade da ocupação israelita. Os colonatos são ilegais à luz do direito internacional, e Israel, como potência ocupante, continua vinculado às Convenções de Genebra — incluindo o dever de tratar a população palestiniana como "pessoas protegidas".

Israel rejeita de forma sistemática as qualificações dos relatores da ONU, que considera enviesadas, e enquadra a sua presença na Cisjordânia em termos de segurança. Esse contraditório é parte do quadro e não pode ser omitido. A versão oficial israelita, contudo, não responde ao dado central: a curva de mortos e feridos por ação de colonos, segundo a própria ONU, está a ultrapassar todos os anos anteriores.

Os relatores fizeram uma observação que merece ser lida duas vezes. À medida que a diplomacia se concentra noutros teatros da região, escrevem, "a responsabilização pela crescente violência dos colonos e pelo consequente deslocamento de pessoas afastou-se ainda mais da vista". A terra muda de mãos longe das câmaras. É talvez o único detalhe deste dossiê que ninguém, em Telavive ou em Genebra, contesta.

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