Resumo
- Segundo a investigação publicada em maio de 2025, a Agência de Publicidade do Governo de Israel comprou anúncios em plataformas Google para promover o voto na representante israelita.
- regresso dos júris às semifinais, redução do número máximo de votos pagos por método de 20 para 10 e regras destinadas a limitar campanhas promocionais desproporcionadas de governos e terceiros.
- emissoras que financiam a UER, patrocinadores que sustentam o espetáculo, plataformas que distribuem publicidade e governos que descobriram o televoto como instrumento de soft power.
Em 2025, uma investigação do Eurovision News Spotlight documentou publicidade paga por uma agência do Governo israelita a incentivar votos na canção de Israel. Em 2026, a UER mudou regras de votação, mas manteve Israel e manteve o patrocinador principal Moroccanoil.
Segundo a investigação publicada em maio de 2025, a Agência de Publicidade do Governo de Israel comprou anúncios em plataformas Google para promover o voto na representante israelita. Os anúncios explicavam como votar, incluindo a possibilidade então existente de votar até 20 vezes.
A resposta da UER
A UER defendeu a integridade do sistema de votação e anunciou, para 2026, alterações relevantes: regresso dos júris às semifinais, redução do número máximo de votos pagos por método de 20 para 10 e regras destinadas a limitar campanhas promocionais desproporcionadas de governos e terceiros.
A mudança é uma admissão indireta de problema. Se nada tivesse acontecido, não seria necessário apertar regras. Mas a resposta é prospetiva: não altera o resultado de 2025 nem responde politicamente à permanência de Israel.
O patrocinador que incomoda
Moroccanoil aparece como Presenting Partner da Eurovisão 2026. A própria página oficial do concurso apresenta a marca como parceira central do evento. A empresa é amplamente identificada como marca israelita de cosmética, com origem ligada a Israel, embora com presença comercial global.
Os termos financeiros do patrocínio não são públicos. Essa opacidade alimenta suspeitas, sobretudo num ano em que a participação israelita domina a crise reputacional do festival.
A neutralidade como modelo de negócio
A UER gere um produto cultural, uma rede de emissoras públicas e uma máquina de patrocínios. Quando estes interesses entram em choque com direitos humanos, a linguagem institucional tende a falar de regras, não de política.
Não é preciso alegar conspiração. Basta observar dependências: emissoras que financiam a UER, patrocinadores que sustentam o espetáculo, plataformas que distribuem publicidade e governos que descobriram o televoto como instrumento de soft power.
A pergunta prática é simples: pode um concurso chamar-se apolítico quando governos compram anúncios para influenciar votos e marcas politicamente contestadas ocupam o centro comercial do evento? A UER respondeu com novas regras. Ainda não respondeu com transparência suficiente.