Bola de futebol diante de barreiras de acesso a um estádio vazio
Ilustração editorial gerada para a série Mundial 2026 e direitos humanos.
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Resumo

  • A comitiva do Irão enfrentou recusas e limitações de vistos, levando a seleção a organizar parte da operação a partir do México.
  • A organização chamou também a atenção para a participação do ICE e da CBP na operação de segurança e para a falta de planos públicos de direitos humanos em várias cidades-sede.
  • Mas a FIFA escolheu os anfitriões, negociou garantias governamentais e mantém uma política de direitos humanos que a obriga a usar a sua influência quando a competição produz riscos previsíveis.

Árbitros barrados, jornalistas sem visto e adeptos impedidos de viajar: o arranque do torneio nos Estados Unidos, México e Canadá confirma alertas feitos por organizações de direitos humanos.

A bola começou a rolar esta quinta-feira, 11 de junho, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Ao mesmo tempo, o Mundial 2026 abriu com uma lista crescente de árbitros, jornalistas, dirigentes e adeptos que não conseguiram entrar nos Estados Unidos.

O caso mais visível é o de Omar Abdulkadir Artan. O árbitro somali, distinguido no futebol africano e escolhido para a competição, foi impedido de entrar no país depois de aterrar em Miami. A decisão afastou-o do torneio apesar de viajar com documentação válida, segundo a informação publicada esta semana.

Atletas e comitivas sob escrutínio

O avançado iraquiano Aymen Hussein também foi retido e interrogado durante várias horas em Chicago antes de receber autorização de entrada. A comitiva do Irão enfrentou recusas e limitações de vistos, levando a seleção a organizar parte da operação a partir do México.

As restrições não atingem apenas quem entra em campo. Jornalistas acreditados de países africanos e do Médio Oriente relataram recusas ou atrasos, enquanto adeptos abrangidos pelas proibições de viagem dos Estados Unidos ficaram sem uma via normal para assistir aos jogos em território norte-americano.

O alerta da Amnistia

A Amnistia Internacional alertou para riscos de perfil racial, detenções em massa e restrições à liberdade de expressão e de reunião durante o torneio. A organização chamou também a atenção para a participação do ICE e da CBP na operação de segurança e para a falta de planos públicos de direitos humanos em várias cidades-sede.

Os Estados Unidos recebem a maioria dos jogos. Isso transforma a política migratória norte-americana numa condição concreta de acesso a uma competição que a FIFA apresenta como global e inclusiva.

Infantino pede que o público “relaxe”

Confrontado com os casos na véspera do jogo inaugural, Gianni Infantino desvalorizou a capacidade de intervenção da FIFA e pediu que o público “relaxasse”. O presidente do organismo lembrou que a FIFA não controla fronteiras nem forças policiais.

É verdade que cada Estado decide quem entra no seu território. Mas a FIFA escolheu os anfitriões, negociou garantias governamentais e mantém uma política de direitos humanos que a obriga a usar a sua influência quando a competição produz riscos previsíveis.

Um caso isolado poderia ser apresentado como exceção. Um árbitro excluído, atletas interrogados, dirigentes sem visto, jornalistas impedidos de viajar e bancadas privadas dos seus adeptos formam um padrão que exige explicação pública.

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