Resumo
- O Chega caiu para quinto lugar nas intenções de voto dos eleitores entre os 18 e os 34 anos, segundo o barómetro DN/Aximage de abril.
- A candidatura presidencial de João Cotrim de Figueiredo terá ajudado a reforçar a identificação do partido com uma faixa mais jovem, urbana e politicamente mobilizada.
- O estudo da Aximage para o Diário de Notícias foi realizado entre 10 e 15 de abril de 2026, através de entrevistas online.
O Chega caiu para quinto lugar nas intenções de voto dos eleitores entre os 18 e os 34 anos, segundo o barómetro DN/Aximage de abril.
A mudança é forte. Em outubro de 2025, o partido de André Ventura liderava este segmento com 30,1%. Seis meses depois, surge com 12,5%, atrás da AD, do PS, da Iniciativa Liberal e do Livre.
A AD lidera agora entre os mais jovens, com 25,6%. O PS aparece em segundo lugar, com 22,3%, seguido da Iniciativa Liberal, com 17,3%, e do Livre, com 14,8%.
O retrato não significa que o eleitorado jovem tenha abandonado a direita. Significa outra coisa: a direita continua à frente, mas o Chega perdeu a centralidade que tinha conquistado neste grupo etário.
Direita mantém vantagem, mas menos concentrada
Em outubro, AD, Chega e Iniciativa Liberal somavam perto de dois terços das intenções de voto entre os eleitores mais novos. Agora, a vantagem da direita mantém-se, mas está mais distribuída.
A Iniciativa Liberal é uma das forças que mais beneficia dessa redistribuição. A candidatura presidencial de João Cotrim de Figueiredo terá ajudado a reforçar a identificação do partido com uma faixa mais jovem, urbana e politicamente mobilizada.
A pergunta óbvia é se esta deslocação representa uma mudança estrutural ou apenas um efeito de conjuntura. A resposta honesta é: ainda não se sabe. Uma sondagem mostra tendência, não destino.
PS e Livre recuperam espaço no voto jovem
O PS também melhora num terreno onde a direita vinha a ganhar vantagem. Os 22,3% registados entre os 18 e os 34 anos ajudam a explicar a liderança socialista no plano nacional do barómetro.
Para os socialistas, este dado importa porque contraria a ideia de que o partido depende apenas do eleitorado mais velho. O núcleo duro do PS continua mais envelhecido, mas a recuperação entre jovens reduz uma fragilidade política evidente.
À esquerda, o Livre consolida presença com 14,8%. O partido aproxima-se de um eleitorado que, noutros ciclos, esteve mais ligado ao Bloco de Esquerda. Não domina o espaço, mas já não é uma presença marginal.
Da hegemonia, ficou apenas a memória curta das sondagens.
Leitura exige cautela
O estudo da Aximage para o Diário de Notícias foi realizado entre 10 e 15 de abril de 2026, através de entrevistas online. A amostra total inclui 500 entrevistas, das quais 111 correspondem a inquiridos entre os 18 e os 34 anos.
A margem de erro máxima é de 4,4 pontos percentuais, para um intervalo de confiança de 95%. A leitura por faixa etária deve, por isso, ser feita com prudência, sobretudo quando se comparam subamostras pequenas.
Ainda assim, a evolução face a outubro é difícil de ignorar. O Chega passou de primeiro para quinto lugar entre os jovens. A direita continua competitiva. Mas o voto jovem deixou de parecer um território de domínio quase automático para André Ventura.
Fontes consultadas: Jornal Económico, ZAP, PolitPro/Aximage.