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Resumo

  • 300 €/m², consoante o modelo escolhido e a localização.
  • Isenção de IMT para terrenos destinados a habitação própria e permanente;.
  • Um bom profissional pode poupar dezenas de milhares de euros ao evitar erros de concepção e facilitar licenças.

É possível ter uma casa nova, funcional e legal abaixo do custo médio do mercado? Sim — mas exige planeamento, escolhas informadas e, sobretudo, saber onde construir.

Num país onde o preço médio de uma habitação nova ultrapassa os 2.400 €/m² nas principais cidades, a ideia de construir casa por menos de 150 mil euros parece uma fantasia. Mas está longe de o ser. Fora dos grandes centros urbanos, com um terreno bem escolhido e opções construtivas inteligentes, construir casa própria por este valor é uma realidade cada vez mais acessível.

O segredo? Localização estratégica, modelos alternativos de construção e domínio dos custos ocultos. Este artigo guia-te por tudo o que precisas de saber.


O que significa “construir por menos de 150 mil euros”?

Para efeitos práticos, consideramos:

  • Habitação unifamiliar T2 ou T3;
  • Área entre 90 m² e 120 m²;
  • Custos chave na mão (incluindo projecto, licenças, construção e acabamentos);
  • Terreno adquirido à parte — ou já na posse da família.

Com estas condições, os valores médios por metro quadrado podem situar-se entre 900 €/m² e 1.300 €/m², consoante o modelo escolhido e a localização.


Onde é mais viável?

A localização é o primeiro filtro. Os custos de construção são mais baixos onde há menor pressão imobiliária e mão-de-obra disponível.

📍 Concelhos com bom equilíbrio custo/qualidade de vida:

  • Centro: Ourém, Gouveia, Sever do Vouga, Mortágua
  • Norte: Cabeceiras de Basto, Macedo de Cavaleiros, Paredes de Coura
  • Alentejo: Serpa, Redondo, Alandroal
  • Interior algarvio: Monchique, São Brás de Alportel

Nestes concelhos, o preço médio dos terrenos ronda os 15.000 a 35.000 euros para lotes com infraestruturas básicas, e os regulamentos municipais são, regra geral, mais flexíveis.


Três modelos de construção abaixo dos 150 mil €

1. Construção tradicional optimizada

  • Materiais convencionais (bloco térmico, telha, reboco)
  • Planta simples, térrea, com pouca compartimentação
  • Arquitectura modular para reduzir custos de estrutura

💰 Custo médio: 1.000 a 1.200 €/m²
✅ Bom compromisso entre conforto, durabilidade e personalização

2. Casas modulares ou pré-fabricadas

  • Estrutura em aço leve, madeira ou betão pré-moldado
  • Produção em fábrica, montagem rápida no local
  • Sustentáveis, eficientes e adaptáveis

💰 Custo médio: 850 a 1.100 €/m²
✅ Ideal para terrenos planos e prazos curtos

3. Autoconstrução assistida

  • O proprietário assume parte das tarefas (acompanhamento, acabamentos)
  • Projecto supervisionado por arquitecto e engenheiro civil
  • Pode incluir materiais reciclados ou de baixo custo

💰 Custo médio: 700 a 950 €/m²
✅ Exige tempo, conhecimento e acompanhamento técnico rigoroso


Cuidado com os custos ocultos

Mesmo com um orçamento controlado, há despesas que podem fazer disparar o valor final:

  • Licenciamento camarário (pode ultrapassar 3.000 €);
  • Projectos técnicos obrigatórios (estabilidade, térmica, acústica);
  • Estudo geotécnico (fundamental em terrenos duvidosos);
  • Ligação a infraestruturas (água, electricidade, esgotos);
  • Paisagismo e arranjos exteriores.

🔍 Dica: um orçamento bem feito deve incluir 10 a 15% de margem para imprevistos.


E os apoios estatais?

Embora não existam apoios directos para construção de raiz, há mecanismos que podem ajudar:

  • Isenção de IMT para terrenos destinados a habitação própria e permanente;
  • Redução do IVA (6%) em zonas de reabilitação urbana ou construção para habitação própria;
  • Programas municipais de cedência de terrenos a custos controlados (em Bragança, Fundão, Évora, entre outros);
  • Crédito bonificado jovem, em estudo pelo Governo para 2026.

O papel dos arquitectos e projectistas

Contratar um arquitecto não é luxo — é necessidade. Um bom profissional pode poupar dezenas de milhares de euros ao evitar erros de concepção e facilitar licenças.

“Uma planta mal pensada pode aumentar custos estruturais em 20%. Um projecto bem optimizado paga-se a si próprio”, afirma Joana Leal, arquitecta especializada em habitação económica.

Além disso, o arquitecto ajuda a navegar o licenciamento, coordenar engenharias e acompanhar a obra.


Compensa?

Se compararmos com o mercado:

  • Comprar T2 novo em Lisboa: 350.000 €
  • Comprar T3 novo em Setúbal: 260.000 €
  • Construir T3 em Paredes de Coura: 135.000 € (+ 20.000 € terreno)

💡 Conclusão: construir pode custar metade do que comprar — com mais controlo, mais personalização e melhores condições.


Construir casa barata não é utopia

Exige planeamento, paciência e conhecimento — mas é possível. Para quem tem flexibilidade geográfica e ambição de criar uma casa à medida, construir fora dos centros pode ser a única forma realista de aceder a habitação digna e permanente.Porque, às vezes, a chave da casa está longe da cidade — mas mais perto da liberdade.

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