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Resumo

  • o calendário mostrava os dias da semana e as datas do mês — e nada mais.
  • A tentativa de transformar uma peça banal do quotidiano hospitalar numa “prova” terrorista seria quase cómica — não estivesse a ser usada para justificar ataques a hospitais e a criminalização de profissionais de saúde.
  • A 13 de Novembro de 2023, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), contra-almirante Daniel Hagari, apresentou à imprensa internacional o que chamou de “centro de comando terrorista do Hamas escondido dentro do hospital Al-Rantisi”.


A acusação caiu por terra, mas o estrago mediático já estava feito

Foi uma imagem difundida em conferência de imprensa, com ar solene e tons de gravidade. Um militar israelita, rodeado de mapas e fotografias, exibia o que descreveu como “provas inequívocas” da presença do Hamas dentro do Hospital Pediátrico Al-Rantisi, em Gaza. Entre os objectos supostamente apreendidos: medicamentos, mochilas… e um calendário em árabe.

A legenda, destacada em inglês: “Lista de guardas do Hamas com turnos organizados por mês”.

Horas depois, jornalistas árabe-falantes começaram a apontar o óbvio: o calendário mostrava os dias da semana e as datas do mês — e nada mais. Sem qualquer nome, logótipo ou referência ao Hamas. A acusação parecia ter sido fabricada com base em ignorância linguística… ou em má-fé deliberada.

A tentativa de transformar uma peça banal do quotidiano hospitalar numa “prova” terrorista seria quase cómica — não estivesse a ser usada para justificar ataques a hospitais e a criminalização de profissionais de saúde.


A origem da alegação: “a prova está ali”

A 13 de Novembro de 2023, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), contra-almirante Daniel Hagari, apresentou à imprensa internacional o que chamou de “centro de comando terrorista do Hamas escondido dentro do hospital Al-Rantisi”. Entre as imagens divulgadas, uma em particular ganhou destaque: um calendário manuscrito com tabelas e números, colado a uma parede.

A acusação era clara: “Isto é uma lista de membros do Hamas com as suas tarefas. Eles estavam a organizar-se aqui dentro.”

Mas quando jornalistas do France 24 e do Middle East Eye traduziram o conteúdo, a realidade era outra:

  • Dias da semana em árabe (Domingo a Sábado);
  • Datas numéricas do mês;
  • Nenhuma referência a nomes, cargos ou grupos.

Era, literalmente, um calendário.

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