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Resumo

  • Cada vez mais, governos recorrem a bloqueios totais ou parciais de redes sociais e até à suspensão de serviços de internet para controlar narrativas, dificultar mobilizações e limitar a circulação de provas de abusos.
  • Do corte de ligações móveis em Gaza a restrições ao Twitter na Rússia e ao bloqueio do TikTok em países asiáticos, os apagões digitais transformaram-se numa arma política, com consequências diretas para a liberdade de expressão e para a segurança das populações.
  • Após a invasão da Ucrânia em 2022, o governo russo bloqueou o acesso ao Twitter e limitou fortemente o Facebook e o Instagram, alegando combate à “desinformação”.

Em zonas de conflito, a batalha pelo controlo da informação não se trava apenas no terreno ou nas redações. Cada vez mais, governos recorrem a bloqueios totais ou parciais de redes sociais e até à suspensão de serviços de internet para controlar narrativas, dificultar mobilizações e limitar a circulação de provas de abusos.

Do corte de ligações móveis em Gaza a restrições ao Twitter na Rússia e ao bloqueio do TikTok em países asiáticos, os apagões digitais transformaram-se numa arma política, com consequências diretas para a liberdade de expressão e para a segurança das populações.


Gaza: silêncio forçado sob bombardeio

Durante os picos de ataques aéreos, habitantes de Gaza relataram períodos de horas — e, por vezes, dias — sem acesso a internet. Organizações como a Access Now alertaram que tais interrupções não são apenas “colaterais” a danos em infraestruturas: em alguns casos, resultam de cortes deliberados ordenados por autoridades israelitas sobre redes móveis e de fibra ótica.

“O blackout digital impede que jornalistas e cidadãos partilhem provas de ataques, e isso tem impacto direto na responsabilização internacional”, afirma Marwa Fatafta, especialista em direitos digitais.


Rússia e a censura total do Twitter

Após a invasão da Ucrânia em 2022, o governo russo bloqueou o acesso ao Twitter e limitou fortemente o Facebook e o Instagram, alegando combate à “desinformação”. Na prática, as restrições isolaram a população de fontes independentes, enquanto canais pró-governo mantiveram-se operacionais.

VPNs e redes privadas tornaram-se a única forma de contornar o bloqueio, mas o acesso dependia de conhecimentos técnicos e recursos financeiros — barreiras que excluíram grande parte da população.


Bloqueios seletivos e o caso asiático

Países como Indonésia e Índia adotaram bloqueios temporários ao TikTok, sob o pretexto de combater conteúdos “impróprios” ou “antigovernamentais”. Em períodos de protestos ou instabilidade política, as restrições coincidiram com picos de mobilização, levando analistas a considerar motivação política.


Consequências invisíveis, mas duradouras

Os apagões digitais não apenas impedem a comunicação em tempo real. Eles interrompem operações de ajuda humanitária, atrasam evacuações e aumentam o medo e a desinformação entre civis.

Segundo a Human Rights Watch, tais medidas podem constituir violação do direito internacional, pois afetam desproporcionalmente civis e impedem a documentação de crimes de guerra.

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