No Estado Novo, a escola não era apenas um espaço de aprendizagem — era, antes de tudo, um instrumento de moldagem ideológica. Sob o comando de Salazar, a educação foi estruturada para criar obediência, inculcar nacionalismo e garantir a reprodução do regime. A doutrina começava cedo e atravessava toda a formação básica: Deus, Pátria e Família não eram apenas palavras de ordem — eram as colunas mestras de um projecto político que temia a liberdade.
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Desconstruir o Passado: Como Portugal Está (ou Não Está) a Reconciliar-se com o Colonialismo
Mais de quatro décadas após o fim do império, Portugal ainda evita olhar de frente para o seu passado colonial. O país que durante séculos governou vastos territórios em África, Ásia e América do Sul — muitas vezes com violência, racismo e exploração — continua a apresentar essa história como epopeia, orgulho ou missão civilizadora. Pouco se fala das guerras coloniais, do trabalho forçado, da segregação legal, do saque de recursos e da destruição cultural.
Heróis e Carrascos: Quem Foram os Portugueses Que Resistiram ao Estado Novo?
Durante quase meio século, Portugal viveu sob a sombra de um regime ditatorial que suprimiu liberdades, perseguiu opositores e impôs uma ordem moral e política alicerçada no medo. Mas nem todos se calaram. Nem todos se curvaram. Entre as prisões da PIDE, os jornais clandestinos, as greves reprimidas e os exílios forçados, milhares de homens e mulheres resistiram ao Estado Novo com coragem, lucidez e sacrifício.
Educação para a Cegueira: O Fascismo nos Manuais Escolares Portugueses
O que se aprende — ou não se aprende — nas escolas diz muito sobre a forma como uma nação encara o seu passado. Em Portugal, o ensino do regime fascista do Estado Novo continua envolto num manto de ambiguidade, eufemismo e omissão. Em pleno século XXI, os manuais escolares e os programas curriculares tratam quase com pudor um dos períodos mais longos e repressivos da história portuguesa contemporânea.