Nos bastidores da política migratória europeia, a Frontex transformou-se numa superagência com poderes quase distópicos. Se antes era uma força discreta de apoio técnico, hoje é um actor central na gestão das fronteiras externas da União Europeia — e cada vez mais dependente da tecnologia. Drones, sensores térmicos, sistemas biométricos e inteligência artificial são as novas armas do controlo migratório. Mas com grande poder vem grande opacidade.
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Securitização da migração: da Agenda Europeia ao Novo Pacto
Desde a crise de 2015, a União Europeia tem vindo a redefinir a sua abordagem à migração. O que começou como uma tentativa de resposta humanitária evoluiu, rapidamente, para um paradigma dominado por preocupações securitárias. A “Agenda Europeia para a Migração”, lançada nesse mesmo ano, foi o primeiro marco visível dessa viragem. O “Novo Pacto sobre Migração e Asilo”, apresentado em 2020, prometia equilíbrio — mas, para muitos críticos, manteve (ou até aprofundou) os vícios do modelo anterior.
A crise migratória de 2015: ponto de viragem na narrativa securitária da União Europeia
Em 2015, mais de um milhão de pessoas cruzaram as fronteiras da União Europeia, fugindo de guerras, perseguições e miséria — sobretudo da Síria, do Afeganistão e do Iraque. O fluxo inesperado e massivo desencadeou uma das maiores crises políticas da UE desde a sua fundação. E, com ela, algo mudou: o olhar europeu sobre a migração passou da compaixão à suspeita, da solidariedade à contenção.