ONU coloca Israel na lista de violência sexual em conflito - Sociedade Civil
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Resumo

  • A ONU vai incluir o Serviço Prisional de Israel no anexo do relatório anual sobre violência sexual relacionada com conflito, anunciaram fontes israelitas esta quinta-feira, levando o país a romper relações com o secretário-geral, António Guterres.
  • À hora de fecho, o relatório do gabinete de Guterres era descrito como iminente, ainda não publicado na íntegra — o procedimento habitual prevê que o documento seja apresentado aos Estados visados antes de sair.
  • Segundo a documentação disponível, o Serviço Prisional israelita entra na lista de 2026, enquanto outras autoridades do país ficam sob um quadro de monitorização que pode levar a inclusão futura.

O Serviço Prisional israelita será anexado ao relatório anual do secretário-geral sobre violência sexual relacionada com conflito. Telavive cortou relações com António Guterres.

A ONU vai incluir o Serviço Prisional de Israel no anexo do relatório anual sobre violência sexual relacionada com conflito, anunciaram fontes israelitas esta quinta-feira, levando o país a romper relações com o secretário-geral, António Guterres.

A informação foi avançada primeiro por meios israelitas e confirmada pela missão israelita junto das Nações Unidas. À hora de fecho, o relatório do gabinete de Guterres era descrito como iminente, ainda não publicado na íntegra — o procedimento habitual prevê que o documento seja apresentado aos Estados visados antes de sair.

O embaixador israelita na ONU, Danny Danon, reagiu num vídeo publicado na rede social X. “Acabámos com este secretário-geral”, afirmou, classificando a decisão de incluir o país na lista como ultrajante. Danon acusou o gabinete de Guterres de espalhar mentiras e recusou que Israel figure no mesmo registo que o Hamas.

Uma lista que já inclui Hamas e ISIS

O anexo faz parte do relatório anual do secretário-geral sobre Violência Sexual Relacionada com Conflito, conhecido pela sigla inglesa CRSV. Identifica partes credivelmente suspeitas de cometer padrões de violência sexual em contexto de guerra. Quem entra permanece no registo durante pelo menos um ano.

O Hamas foi adicionado em agosto de 2025, quase dois anos depois dos ataques de 7 de outubro de 2023. O grupo Estado Islâmico também consta da lista. É essa coabitação — a de Israel ao lado de organizações que classifica como terroristas — que está no centro da indignação oficial israelita.

Segundo a documentação disponível, o Serviço Prisional israelita entra na lista de 2026, enquanto outras autoridades do país ficam sob um quadro de monitorização que pode levar a inclusão futura.

Israel nega, ONU mantém a porta aberta

As alegações que sustentam a decisão dizem respeito a abusos sexuais de detidos palestinianos em prisões israelitas, documentados por organizações de direitos humanos. Israel nega, de forma institucional e reiterada, qualquer prática de abuso nas suas instalações de detenção.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita falou numa decisão vergonhosa e absurda, e descreveu a ONU como uma organização politizada. A missão do país afirmou que não terá qualquer contacto com o gabinete do secretário-geral enquanto Guterres ocupar o cargo.

Do lado das Nações Unidas, o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, disse estar a par das declarações de Danon. “A porta do secretário-geral permanece aberta”, afirmou.

A questão óbvia é o que muda na prática para um país que continua a ser Estado-membro da organização. A resposta, por agora, é institucionalmente pouco e politicamente muito. Israel mantém o assento; suspende é o diálogo com o topo.

Há um ano, Guterres tinha colocado Israel “sob aviso” para potencial inclusão, ao mesmo tempo que listava o Hamas. O aviso cumpriu-se.

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