Resumo
- Em 2025 e 2026, a inquietação com a Palantir deixou de ser exclusiva dos democratas e instalou-se dentro do núcleo MAGA.
- A rachadura interna resulta da perceção de que a Palantir deixou de ser fornecedor de defesa para se tornar infraestrutura de governo.
- A crítica inesperada veio de dentro da direita populista americana, que começou a ver na Palantir a possibilidade de um Estado que sabe demasiado.
A relação entre Peter Thiel e o vice-presidente JD Vance está documentada há mais de uma década. Em 2025 e 2026, a inquietação com a Palantir deixou de ser exclusiva dos democratas e instalou-se dentro do núcleo MAGA.
A relação entre Peter Thiel, cofundador da Palantir, e JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, está documentada há mais de uma década. Thiel deu emprego a Vance no fundo Mithril Capital, financiou-lhe a campanha ao Senado do Ohio e ajudou a aproximá-lo de Donald Trump. O que mudou foi a direção do fogo crítico.
A pergunta de Roger Stone
Em finais de 2025, JD Vance perguntou a Roger Stone, consultor de longa data de Donald Trump, qual era a sua maior preocupação para o país. Stone contou depois que respondeu com uma palavra: Palantir. Pouco antes, Steve Bannon comparara a empresa a um vilão de ficção científica. Joe Rogan classificou-a como perturbadora.
Estas vozes não são de centro-esquerda. São o núcleo MAGA. A rachadura interna resulta da perceção de que a Palantir deixou de ser fornecedor de defesa para se tornar infraestrutura de governo.
DOGE como cavalo de Troia
Reportagens publicadas em 2025 descreveram esforços de integração de bases de dados federais — receita, segurança interna, saúde, serviços humanos — no contexto do Departamento de Eficiência Governamental. A Palantir respondeu que não está a construir uma base de dados mestra sobre cidadãos americanos. Não foi suficiente.
Democratas no Congresso falaram em pesadelo de vigilância. A crítica esperada veio da esquerda. A crítica inesperada veio de dentro da direita populista americana, que começou a ver na Palantir a possibilidade de um Estado que sabe demasiado.
A linha que a verificação desenhou
A alegação maximalista — a de que a Palantir, por si, recolhe dados sobre cidadãos — não está provada. É o Governo federal que recolhe esses dados. Mas o software Foundry está implantado em agências federais e pode ser usado para criar ligações entre bases existentes. A diferença é fina. É juridicamente decisiva.
A administração não nega o uso do software. Nega o cruzamento. A pergunta técnica é se essa fronteira é defensável quando o motor analítico está construído para a apagar.
O que a Europa devia ler
Para um observador europeu, a fratura interna no MAGA é mais reveladora do que qualquer crítica vinda da esquerda americana. Mostra que o problema não se reduz à oposição partidária. É preocupação que atravessa famílias políticas quando o objeto é a concentração de capacidade de vigilância numa única empresa privada com acesso ao Estado.
Vance descreveu o papel da Palantir como conectar informação entre agências. Concedeu que a tecnologia moderna afeta a privacidade e ofereceu como proteção a necessidade de eleger as pessoas certas. É uma resposta política para um problema estrutural.
A Europa exporta valores. Importa software.
Fontes
- NATO NCIA — NATO acquires AI-enabled warfighting system
- NATO Joint Warfare Centre — Maven Smart System training
- Accenture — parceria global com Palantir
- Deloitte — colaboração estratégica com Palantir
- Palantir — programa de certificação e referência à Capgemini
- Mais Transparência — PRR C01-i06, Transição Digital na Saúde
- El País — ImmigrationOS by Palantir
- The Register — Palantir wins £330m NHS FDP contract
- OECD AI Incidents Monitor — Palantir AI systems
- Policy Maker — manifesto de 22 pontos da Palantir