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Palantir Portugal: o Estado está a preparar uma “caixa negra” de dados?
Lisboa/Amadora, fevereiro de 2026. Nos ciclos de contratação que já mexem na…
Cartas abertas, telefones vigiados e informadores em todo o lado: o quotidiano da suspeita
Durante décadas, os portugueses viveram num país onde cada palavra podia ser vigiada, cada gesto interpretado, cada silêncio mal compreendido. Sob o Estado Novo, a vigilância era uma teia apertada que não se via, mas sentia-se em cada canto: nas conversas murmuradas, nas cartas lidas antes de chegarem ao destinatário, no clique estranho ao telefone que denunciava uma escuta. A repressão, embora nem sempre visível, era permanente e psicológica. E isso bastava para domesticar a maioria.
Como era viver com medo de ser denunciado à PIDE?
Durante quase meio século, Portugal viveu sob a sombra de um regime que cultivava o medo como ferramenta de controlo. No quotidiano da ditadura salazarista, o silêncio era um reflexo de sobrevivência e a desconfiança um instinto vital. A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), braço repressivo do Estado Novo, infiltrava-se nas ruas, nas casas e até nas conversas mais banais. Qualquer palavra fora do tom podia ser interpretada como delito. E qualquer cidadão podia ser denunciado — por um vizinho, um colega ou até por alguém da própria família.
Do fascismo clássico ao extremismo digital: continuidades e mutações do autoritarismo
Será o novo autoritarismo apenas uma versão moderna do fascismo antigo? À primeira vista, os paralelos impressionam: culto da personalidade, nacionalismo exacerbado, desprezo pelas instituições democráticas, uso de inimigos internos e externos para consolidar o poder. Mas há também rupturas decisivas. O fascismo dos anos 1930 e 1940 marchava em uniformes, censurava jornais e prendia opositores em campos de concentração. O extremismo político do século XXI actua com memes, vídeos virais, ataques legislativos e campanhas de desinformação.
Os Bufos da PIDE: A Rede de Espionagem Cidadã Que Silenciou Portugal
“O seu colega do gabinete pode muito bem ser um informador.”
Durante 48 anos, esta era uma possibilidade constante em Portugal. Sob o Estado Novo, a repressão política não se fazia apenas por via das prisões, da censura ou da tortura. Fazia-se também — e sobretudo — por meio de uma rede invisível, capilar, de milhares de civis que delatavam amigos, vizinhos, colegas e até familiares à PIDE. A polícia política portuguesa montou um sistema de espionagem cidadã que minou a confiança social e envenenou o convívio humano durante gerações.
De Lisboa a Helsínquia: O Mapa Europeu das Milícias Neonazis
Uma rede em expansão, com ideologias convergentes, símbolos partilhados e métodos importados. Eis os principais grupos paramilitares de extrema-direita activos na Europa.
PIDE 2.0? O Que a Repressão de Ontem Ensina Sobre a Vigilância de Hoje
A PIDE não desapareceu. Transformou-se.
Não sobrou intacta como instituição, mas o seu método — vigiar, infiltrar, manipular, silenciar — ganhou novas formas nas democracias digitais do século XXI.
Neste artigo, cruzamos os métodos clássicos da repressão do Estado Novo com as tecnologias de controlo contemporâneo — da vigilância digital aos algoritmos de monitorização social — para perguntar, sem nostalgia nem alarmismo: estamos a construir um novo modelo de repressão, apenas mais subtil e mais eficaz?