Resumo
- A Turquia foi mais dura e falou em “ato de terrorismo”, acusando Israel de colocar vidas civis em risco e de violar o direito internacional.
- Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa declarou que a flotilha não era um gesto de confronto, mas de solidariedade, exigindo a entrega da ajuda humanitária a Gaza.
- Higgins, acusou Israel de impedir a chegada de bens essenciais a Gaza e de comprometer a proteção de cidadãos de diversos países.
Israel intercetou a flotilha Global Sumud Flotilla (GSF) quando esta navegava rumo a Gaza. A ação desencadeou reações imediatas de governos e mobilizou protestos em cidades como Istambul, Atenas, Buenos Aires, Roma, Berlim e Madrid.
A embarcação transportava cerca de 500 pessoas de 44 países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica, Espanha, Malásia, Turquia e Colômbia. As reações políticas não tardaram a chegar.
Condenações no Médio Oriente e no Sul Global
A Autoridade Palestiniana classificou a operação israelita como “ataque e agressão”, defendendo o direito de passagem em águas internacionais, conforme o direito marítimo internacional.
A Turquia foi mais dura e falou em “ato de terrorismo”, acusando Israel de colocar vidas civis em risco e de violar o direito internacional. Já a Malásia exigiu a libertação imediata dos seus cidadãos e anunciou medidas legais para responsabilizar o governo de Telavive.
Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa declarou que a flotilha não era um gesto de confronto, mas de solidariedade, exigindo a entrega da ajuda humanitária a Gaza. Também a Colômbia, liderada por Gustavo Petro, reagiu de forma inédita: expulsou diplomatas israelitas e suspendeu um acordo de comércio livre, alegando que cidadãos colombianos estavam entre os atingidos pela operação.
Reações na Europa
Em Itália, o ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu que Telavive havia prometido não recorrer à violência, enquanto sindicatos convocaram uma greve geral em solidariedade com Gaza.
O Reino Unido manifestou “grande preocupação” e afirmou estar em contacto com as famílias dos britânicos a bordo. Londres defendeu ainda que a ajuda humanitária deve ser entregue por canais seguros através de organizações internacionais.
Grécia e Itália emitiram uma nota conjunta pedindo garantias de segurança para os passageiros e acesso consular imediato. O presidente irlandês, Michael D. Higgins, acusou Israel de impedir a chegada de bens essenciais a Gaza e de comprometer a proteção de cidadãos de diversos países.
Na Bélgica, o ministro dos Negócios Estrangeiros apelou ao respeito pelo direito internacional e exigiu prioridade para a segurança e repatriamento dos belgas. A França pediu igualmente acesso consular rápido aos seus cidadãos.
Pressões sobre Telavive nos EUA e na ONU
Nos Estados Unidos, vinte congressistas democratas pressionaram a administração Biden a intervir para proteger a flotilha e garantir que a ajuda chegue à Faixa de Gaza.
Embora a ONU não tenha ainda emitido uma posição formal sobre as detenções, a relatora especial Francesca Albanese acusou Israel de praticar um “sequestro ilegal” e criticou o silêncio das potências ocidentais face às políticas do governo Netanyahu.
Protestos nas ruas
Enquanto as declarações oficiais se multiplicavam, milhares de pessoas saíram à rua em capitais de quatro continentes. Em Istambul, manifestantes carregaram bandeiras palestinianas e exigiram sanções contra Israel. Em Atenas, ativistas concentraram-se junto à embaixada israelita. Cidades como Buenos Aires, Roma, Berlim e Madrid registaram marchas de solidariedade, reforçando o peso simbólico da flotilha.
Será que esta operação israelita irá isolar ainda mais Telavive no plano diplomático? A diversidade e contundência das reações internacionais parecem apontar nesse sentido.