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Resumo

  • A história foi apresentada no Gaza Tribunal, em Londres, como prova de que a fome infantil em Gaza não é colateral, mas deliberada.
  • Juristas internacionais argumentam que o bloqueio de fórmulas infantis se insere numa estratégia de engenharia da fome, denunciada em várias sessões do tribunal.
  • Pelo contrário, o Reino Unido cortou financiamento à UNRWA, a principal agência de apoio a refugiados palestinianos, agravando ainda mais a escassez.

Na fronteira de Rafah, três médicos americanos chegaram com caixas de fórmula infantil, biberões e suplementos para bebés palestinianos. Tinham viajado durante dias, atravessado checkpoints e carregavam consigo uma missão simples: salvar recém-nascidos da fome.

Mas não conseguiram. Toda a carga foi confiscada por soldados israelitas. A justificação oficial? “Itens sensíveis que podiam ser desviados para fins militares.”

A história foi apresentada no Gaza Tribunal, em Londres, como prova de que a fome infantil em Gaza não é colateral, mas deliberada.

Fórmula proibida, bebés condenados

Segundo a UNICEF, mais de 90% das crianças palestinianas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição aguda. Os casos mais graves concentram-se em bebés privados de fórmula infantil, já que as mães, muitas também desnutridas, não conseguem amamentar.

“O leite não é opcional. É vital. Retê-lo é um crime contra a humanidade”, afirmou a jurista Leila Haddad durante o tribunal.

O cirurgião britânico Nick Maynard contou que viu bebés de sete meses com peso de recém-nascidos. “Chegaram com olhos fundos, ossos salientes, pele quase transparente. Morriam não por doença, mas porque o leite foi proibido de entrar.”

A fome como política

Juristas internacionais argumentam que o bloqueio de fórmulas infantis se insere numa estratégia de engenharia da fome, denunciada em várias sessões do tribunal.

Israel autoriza a entrada de pequenas quantidades de farinha ou arroz em momentos de pressão mediática, mas bloqueia produtos essenciais para bebés: fórmulas, biberões, suplementos nutricionais.

“É uma forma de genocídio silencioso: matar os mais frágeis primeiro”, disse a activista Hala Shabbah.

O Reino Unido no silêncio cúmplice

Apesar das denúncias, nenhum protesto formal do governo britânico foi registado contra a apreensão de fórmulas infantis. Pelo contrário, o Reino Unido cortou financiamento à UNRWA, a principal agência de apoio a refugiados palestinianos, agravando ainda mais a escassez.

Jeremy Corbyn criticou abertamente a omissão: “Enquanto exportamos armas, recusamos importar humanidade. Até o leite foi transformado em contrabando.”

O que propôs o Gaza Tribunal

O relatório final apresentou medidas urgentes:

  • Corredores humanitários exclusivos para alimentos e suplementos infantis, sob supervisão da OMS e UNICEF;
  • Evacuação imediata de bebés em risco de vida para hospitais europeus;
  • Processos legais internacionais contra responsáveis por bloquear leite infantil;
  • Campanha global para denunciar o uso da fome infantil como arma de guerra.

Leite como prova de genocídio

No tribunal, a imagem das caixas de fórmula confiscadas tornou-se símbolo da crueldade do cerco. Um objecto banal — leite em pó — transformado em arma política.

“Quando até o leite é um crime, já não estamos perante guerra. Estamos perante genocídio”, concluiu Haddad.

E cada bebé morto pela fome em Gaza é a prova viva — ou antes, morta — desse crime.

  • Título: “Quando até o leite é um crime: o caso das fórmulas infantis confiscadas”
  • Categorias: Gaza, Sociedade e Direitos Humanos, Crise Humanitária
  • Etiquetas: fórmula infantil, fome, bloqueio Israel, genocídio, UNICEF, Corbyn, Gaza Tribunal, crianças, leite, Rafah
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