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Resumo

  • O novo modelo de distribuição de alimentos imposto em Gaza pela Gaza Humanitarian Foundation (GHF) — apoiada por Israel e pelos Estados Unidos — está a ser severamente criticado por organizações humanitárias internacionais, entre elas a Médicos Sem Fronteiras (MSF), que denuncia o que considera ser um “sistema militarizado e violento, disfarçado de ajuda”.
  • Segundo o relatório da MSF, a GHF substituiu o anterior sistema de distribuição coordenado pela ONU, implementando postos centralizados e cercados por vedações metálicas, onde forças armadas privadas controlam o acesso a alimentos com recurso à intimidação, agressões e, por vezes, fogo real.
  • A MSF exige o fim imediato do sistema militarizado, a retoma da distribuição descentralizada com apoio das agências da ONU e o acesso humanitário pleno, seguro e sem restrições para todas as organizações civis.

O novo modelo de distribuição de alimentos imposto em Gaza pela Gaza Humanitarian Foundation (GHF) — apoiada por Israel e pelos Estados Unidos — está a ser severamente criticado por organizações humanitárias internacionais, entre elas a Médicos Sem Fronteiras (MSF), que denuncia o que considera ser um “sistema militarizado e violento, disfarçado de ajuda”.

Segundo o relatório da MSF, a GHF substituiu o anterior sistema de distribuição coordenado pela ONU, implementando postos centralizados e cercados por vedações metálicas, onde forças armadas privadas controlam o acesso a alimentos com recurso à intimidação, agressões e, por vezes, fogo real.

“O que vemos diariamente são civis famintos, em desespero, tratados como ameaça. Não há compaixão, não há humanidade. É um sistema desenhado para excluir e punir”, denuncia um profissional de saúde da MSF em Rafah.

Cães, balas e cacetetes

As equipas médicas têm tratado vítimas com marcas de morder de cães, hematomas causados por bastões, e ferimentos compatíveis com balas de borracha e munições reais. A maioria dos feridos são homens jovens, mas mulheres, idosos e crianças não escapam.

Em vários casos relatados, as forças de segurança privadas, contratadas por empresas com sede nos EUA, impediram a entrada de multidões esfomeadas com gás lacrimogéneo, descargas eléctricas e tiros. Uma das vítimas atendidas em Khan Younis afirmou: “Fomos tratados como animais enjaulados à espera de migalhas.”

Este método de gestão da distribuição é descrito pela MSF como um mecanismo de controlo e castigo, não como um esforço humanitário. “Estão a transformar o acesso à comida numa prova de submissão. Quem se rebela, é ferido ou morto”, lê-se no relatório.

Um sistema deliberadamente restritivo

Sob o modelo GHF, a ajuda alimentar é canalizada para apenas quatro postos de distribuição em toda a Faixa de Gaza, numa população de mais de 2 milhões de pessoas. A localização remota desses pontos obriga a deslocações perigosas e longas, muitas vezes sob bombardeamentos ou vigilância de drones.

As condições nos postos são descritas como caóticas: faltam sombra, água, casas de banho e organização mínima. Os relatos sugerem que os guardas armados priorizam a distribuição a determinados grupos, aumentando o risco de confrontos e o sentimento de injustiça.

Um dos médicos da MSF descreve o cenário como “um campo de batalha onde os feridos não são combatentes, mas civis desesperados por farinha e arroz”.

A aparência de ajuda, a lógica da repressão

Para a MSF, a operação da GHF é uma manobra política que visa legitimar uma ocupação brutal com a aparência de assistência humanitária. Os alimentos entregues são escassos, secos e muitas vezes inutilizáveis devido à falta de meios para cozinhar.

“Não se trata de alimentar uma população. Trata-se de gerir uma crise humanitária com lógica de campo de prisioneiros”, resume o relatório. A organização afirma que este modelo de distribuição não só viola os princípios fundamentais da ajuda humanitária, como perpetua o sofrimento da população sob cerco.

A MSF exige o fim imediato do sistema militarizado, a retoma da distribuição descentralizada com apoio das agências da ONU e o acesso humanitário pleno, seguro e sem restrições para todas as organizações civis.

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