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Resumo

  • De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2023, a percentagem de arguidos estrangeiros em Portugal manteve-se estável, rondando os 16% do total, enquanto a população estrangeira residente quase duplicou na última década.
  • Entre elas, a de que “a comunidade cigana vive toda à custa do subsídio do Estado” e a de que “os imigrantes cometem a maioria dos crimes violentos”.
  • A verificação factual e as recomendações de organismos internacionais demonstram que o problema não está nas comunidades, mas nas condições estruturais e no discurso que as transforma em bodes expiatórios.

Ao longo dos últimos anos, o discurso político do Chega recorre sistematicamente a referências à comunidade cigana e a imigrantes como causas de insegurança e sobrecarga do Estado social. Declarações generalistas e sem suporte estatístico são repetidas em comícios, entrevistas e redes sociais. Mas o escrutínio dos factos e das recomendações internacionais revela um padrão: estas narrativas não resistem à verificação.

O que dizem os dados

De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2023, a percentagem de arguidos estrangeiros em Portugal manteve-se estável, rondando os 16% do total, enquanto a população estrangeira residente quase duplicou na última década. Não há registos oficiais que identifiquem a etnia dos arguidos, o que torna impossível associar criminalidade a comunidades específicas, incluindo a cigana.

Estudos académicos sobre a comunidade cigana apontam, pelo contrário, para situações de maior vulnerabilidade social, com taxas elevadas de desemprego e exclusão habitacional — fatores que tornam estes grupos mais alvo de crime do que autores.

As “mentiras virais”

O Polígrafo identificou várias afirmações de André Ventura sobre ciganos e imigrantes como falsas ou enganosas. Entre elas, a de que “a comunidade cigana vive toda à custa do subsídio do Estado” e a de que “os imigrantes cometem a maioria dos crimes violentos”. Em ambos os casos, as estatísticas desmentem a generalização.

O que diz a ECRI

O 6.º relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI), publicado em 2025, alerta para “o aumento preocupante do discurso político que estigmatiza comunidades específicas”, apontando diretamente a figuras políticas portuguesas de relevo. O documento recomenda medidas legais mais eficazes contra a incitação ao ódio e a promoção de campanhas públicas de sensibilização.

Impacto social

Especialistas em direitos humanos avisam que a repetição de narrativas discriminatórias, mesmo desmentidas, tem efeitos reais: reforça preconceitos, dificulta a integração e pode fomentar episódios de violência. Nas redes sociais, estas mensagens circulam rapidamente, muitas vezes sem o contexto ou a refutação que a comunicação social tenta introduzir.

Conclusão

O padrão é claro: a escolha da comunidade cigana e dos imigrantes como alvos preferenciais serve uma estratégia política de mobilização pelo medo e pela divisão. A verificação factual e as recomendações de organismos internacionais demonstram que o problema não está nas comunidades, mas nas condições estruturais e no discurso que as transforma em bodes expiatórios.

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