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Resumo

  • Do TikTok à Meta, passando pelo X, as plataformas digitais são hoje instrumentos de guerra de informação, onde batalhas narrativas se travam em tempo real, com impactos diretos na diplomacia, na mobilização popular e até no moral das tropas.
  • “Quando a Meta atende a pedidos de um governo para remover publicações, ou quando o X decide não intervir em conteúdos de desinformação, está a tomar decisões com implicações geopolíticas reais”, explica a analista Marietje Schaake.
  • Com cada crise, aumenta a pressão para que governos e organismos internacionais estabeleçam mecanismos de responsabilização, garantindo que a guerra de informação não seja decidida apenas por interesses comerciais.

As redes sociais já não são apenas arenas de opinião pública ou canais de entretenimento. No século XXI, tornaram-se atores estratégicos na geopolítica, influenciando a percepção internacional de conflitos armados e, em alguns casos, alterando dinâmicas no terreno.

Do TikTok à Meta, passando pelo X, as plataformas digitais são hoje instrumentos de guerra de informação, onde batalhas narrativas se travam em tempo real, com impactos diretos na diplomacia, na mobilização popular e até no moral das tropas.


Algoritmos como armas invisíveis

Especialistas em segurança internacional alertam que a arquitetura algorítmica das redes não é neutra. As decisões sobre que conteúdos promover ou suprimir moldam a agenda pública, amplificando certas vozes e silenciando outras.

“Os algoritmos são agora ferramentas de política externa, ainda que não sejam reconhecidos como tal”, afirma o investigador Marc Owen Jones, que estuda propaganda digital no Médio Oriente. “Eles influenciam percepções e, portanto, podem influenciar políticas.”


Do ciberespaço ao espaço físico

O impacto das redes vai além do simbólico. Durante a guerra na Ucrânia, o Telegram tornou-se canal logístico para coordenar voluntários e distribuir informações sobre ataques. No conflito Israel-Palestina, vídeos no TikTok e no Instagram têm sido usados para alertar sobre bombardeamentos iminentes ou localizar sobreviventes sob escombros.

Em contrapartida, governos e grupos armados também exploram as plataformas para disseminar desinformação, semear pânico ou reforçar propaganda, tornando o feed um campo de batalha tão estratégico quanto qualquer fronteira física.


Big Tech como atores diplomáticos

Empresas de tecnologia já participam, voluntária ou involuntariamente, de negociações políticas. Decisões sobre suspender contas, moderar conteúdos ou bloquear serviços podem favorecer um lado ou alterar o equilíbrio de forças num conflito.

“Quando a Meta atende a pedidos de um governo para remover publicações, ou quando o X decide não intervir em conteúdos de desinformação, está a tomar decisões com implicações geopolíticas reais”, explica a analista Marietje Schaake.


O desafio do escrutínio internacional

Ao contrário de Estados, as plataformas não estão vinculadas a tratados de direitos humanos ou regras claras de conduta em tempos de guerra. Isso cria um vazio regulatório onde decisões que afetam milhões são tomadas por executivos e engenheiros de produto, longe de qualquer controlo democrático.

Com cada crise, aumenta a pressão para que governos e organismos internacionais estabeleçam mecanismos de responsabilização, garantindo que a guerra de informação não seja decidida apenas por interesses comerciais.


No século XXI, a geopolítica não se joga apenas nos salões da ONU ou nas trincheiras. Ela acontece também no ecrã de cada smartphone, onde a próxima atualização de feed pode influenciar tanto uma opinião pública quanto uma operação militar. A questão que fica é se o mundo está preparado para regular este novo campo de batalha.

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