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Resumo

  • Quase 600 ex-oficiais dos serviços de segurança de Israel, entre os quais antigos líderes do Mossad, Shin Bet e das Forças de Defesa de Israel, assinaram uma carta aberta dirigida a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pedindo-lhe que intervenha junto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para pôr termo imediato à guerra na Faixa de Gaza.
  • O apelo, tornado público a 4 de agosto de 2025 pelo movimento Comandantes pela Segurança de Israel (CIS), afirma que a guerra, iniciada após os ataques do Hamas em outubro de 2023, perdeu qualquer justificação moral ou estratégica.
  • A pressão interna contra a guerra tem vindo a crescer à medida que se acumulam os relatos de devastação humanitária em Gaza, o desgaste nas fileiras militares israelitas e as críticas internacionais à condução do conflito.

Veteranos das agências Mossad e Shin Bet dizem que guerra ameaça moral de Israel e não garantirá regresso dos reféns.

Quase 600 ex-oficiais dos serviços de segurança de Israel, entre os quais antigos líderes do Mossad, Shin Bet e das Forças de Defesa de Israel, assinaram uma carta aberta dirigida a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pedindo-lhe que intervenha junto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para pôr termo imediato à guerra na Faixa de Gaza.

O apelo, tornado público a 4 de agosto de 2025 pelo movimento Comandantes pela Segurança de Israel (CIS), afirma que a guerra, iniciada após os ataques do Hamas em outubro de 2023, perdeu qualquer justificação moral ou estratégica. Os signatários alertam que o prolongamento do conflito coloca em risco “a identidade moral do Estado de Israel” e contribui para o colapso da confiança entre civis e instituições.

“Os reféns não podem esperar”

Na carta, os ex-responsáveis pela segurança israelita sublinham que os dois objetivos militares alcançáveis já foram cumpridos: o desmantelamento da infraestrutura militar do Hamas e a eliminação da sua autoridade governativa em Gaza. Sustentam que o único objetivo restante — o regresso seguro de todos os reféns — já não pode ser garantido pela via militar.

“A libertação dos reféns só será possível por meio de um acordo político. Continuar a guerra só adia essa possibilidade e agrava o sofrimento”, escrevem.

Afirmam ainda que o Hamas “já não representa uma ameaça estratégica” para Israel e que o prolongamento do conflito apenas enfraquece a posição internacional do país e ameaça os laços com aliados históricos.

Um apelo a Trump, “figura influente”

Os signatários defendem que Donald Trump tem influência sobre vastos sectores da sociedade israelita, incluindo círculos próximos de Netanyahu. Por isso, pedem-lhe que use o seu peso político para levar o governo israelita a “tomar a direção certa: acabar com a guerra, devolver os reféns e pôr fim ao sofrimento de civis inocentes”.

O documento é acompanhado de testemunhos em vídeo de figuras com grande capital político e simbólico em Israel, incluindo:

  • Tamir Pardo, ex-diretor do Mossad
  • Ami Ayalon, ex-diretor do Shin Bet
  • Ehud Barak, ex-primeiro-ministro e antigo chefe do Estado-Maior
  • Moshe Ya’alon, ex-ministro da Defesa e general reformado

“Mais de mil anos de experiência”

Coletivamente, os signatários reivindicam mais de mil anos de experiência acumulada em áreas como inteligência, segurança nacional e diplomacia. Muitos destes veteranos participaram em negociações e operações críticas para o Estado de Israel nas últimas décadas.

A carta não é apenas um apelo ao fim das hostilidades, mas também uma proposta estratégica: formar uma coligação regional e internacional que apoie a Autoridade Palestiniana e ofereça à população de Gaza uma alternativa política ao Hamas. O objectivo seria iniciar um novo ciclo de reconstrução e estabilidade, com a participação activa de Estados árabes moderados e da comunidade internacional.

Israel em encruzilhada ética e política

O movimento CIS já tinha anteriormente alertado para os perigos de uma estratégia exclusivamente militar. Desta vez, o tom é mais urgente: acusam Netanyahu de colocar os seus interesses políticos à frente da segurança nacional, prolongando um conflito que “não tem saída militar nem justificação moral”.

A pressão interna contra a guerra tem vindo a crescer à medida que se acumulam os relatos de devastação humanitária em Gaza, o desgaste nas fileiras militares israelitas e as críticas internacionais à condução do conflito. Este apelo, vindo de ex-dirigentes insuspeitos do establishment securitário, dá expressão institucional a uma inquietação crescente: será este o preço que Israel está disposto a pagar pelos seus reféns?

A pergunta ecoa como uma advertência. E a resposta, dizem os ex-oficiais, já não pode ser dada nas trincheiras — tem de vir da diplomacia.


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