25 de Abril: cronologia para leitores que não viveram a revolução - Sociedade Civil
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Resumo

  • Nos anos 60 e 70, a guerra colonial em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique corroeu o regime.
  • O 25 de Abril abriu caminho à liberdade de imprensa, ao fim da censura, à legalização de partidos e sindicatos, à libertação de presos políticos, ao regresso de exilados, ao processo de descolonização e à construção da democracia constitucional.
  • O Processo Revolucionário em Curso trouxe conflitos, ocupações, saneamentos, golpes falhados, medo de guerra civil e disputa intensa sobre o destino do país.

O 25 de Abril de 1974 não foi uma fotografia com cravos. Foi uma operação militar, uma ruptura política e uma libertação civil num país gasto por 48 anos de ditadura, censura, polícia política e guerra colonial.

A madrugada começou com senhas na rádio. Acabou com um regime rendido no Largo do Carmo, em Lisboa, e milhares de pessoas na rua, contra as ordens dos militares que pediam recolhimento.

Cai uma ditadura quando a obediência se parte.

Antes da madrugada

O Estado Novo nasceu da ditadura militar instaurada em 1926 e consolidou-se com António de Oliveira Salazar. Durante décadas, Portugal viveu sem eleições livres, com censura prévia, repressão política e uma polícia política conhecida por PIDE, depois DGS.

Nos anos 60 e 70, a guerra colonial em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique corroeu o regime. Milhares de jovens foram mobilizados. Famílias esperavam cartas do mato. O país pobre, isolado e envelhecido já não conseguia fingir normalidade.

Em 1968, Salazar foi substituído por Marcelo Caetano. Veio a chamada “primavera marcelista”. Durou pouco. A censura mudou de nome, não desapareceu. A guerra continuou.

As senhas e os movimentos

Na noite de 24 de abril, a canção “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, tocou nos Emissores Associados de Lisboa. Foi o primeiro sinal. Mais tarde, já na madrugada de 25 de abril, “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, passou na Rádio Renascença. Era a confirmação: a operação avançava.

O Movimento das Forças Armadas juntava militares fartos da guerra e do impasse político. Não era um grupo homogéneo. Mas havia um consenso mínimo: a ditadura tinha de acabar e a guerra colonial precisava de solução política.

Salgueiro Maia saiu da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e avançou para Lisboa. A cidade acordou entre boatos, espanto e trânsito cortado.

O Largo do Carmo

Marcelo Caetano refugiou-se no Quartel do Carmo, sede da GNR. Militares cercaram o edifício. Populares juntaram-se à volta. O regime estava encurralado.

Caetano acabou por render-se ao general António de Spínola, recusando entregar o poder “à rua”. Foi uma tentativa final de controlar a queda. Não controlou o essencial: a ditadura tinha terminado.

Houve mortos, apesar da ideia repetida de uma revolução sem sangue. A PIDE/DGS disparou sobre populares junto à sua sede, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa. Quatro pessoas morreram.

O que mudou

O 25 de Abril abriu caminho à liberdade de imprensa, ao fim da censura, à legalização de partidos e sindicatos, à libertação de presos políticos, ao regresso de exilados, ao processo de descolonização e à construção da democracia constitucional.

Nada foi automático. O Processo Revolucionário em Curso trouxe conflitos, ocupações, saneamentos, golpes falhados, medo de guerra civil e disputa intensa sobre o destino do país.

A democracia não é gratidão. É trabalho diário. O 25 de Abril começou numa madrugada. Ainda não acabou.

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