Cronologia captura Maduro: o que aconteceu em Caracas em poucas horas - Sociedade Civil
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Resumo

  • Entre as 2h00 e as 4h30 da madrugada de 3 de janeiro de 2026, o poder em Caracas mudou de mãos.
  • Às 22h46 de 2 de janeiro (hora da Costa Leste dos EUA, 23h46 em Caracas), o Presidente Donald Trump dá a ordem final para executar a Operação Resolução Absoluta a partir de Mar-a-Lago, depois de confirmadas as “condições meteorológicas favoráveis”.
  • Num prédio em Catia La Mar, a poucos quilómetros do porto de La Guaira, um rapaz de 17 anos grava o som dos helicópteros e coloca no WhatsApp de família uma mensagem curta.

Entre as 2h00 e as 4h30 da madrugada de 3 de janeiro de 2026, o poder em Caracas mudou de mãos. Em pouco mais de duas horas, uma operação norte-americana de grande escala apagou as luzes da capital, bombardeou infraestruturas militares e levou Nicolás Maduro e Cilia Flores para um navio norte-americano no Caribe. Esta é a cronologia da captura de Maduro, tal como hoje pode ser reconstruída a partir de fontes cruzadas.

No bairro de El Valle, Ana, enfermeira de 32 anos, descreveu assim as primeiras horas ao telefone com a irmã emigrada em Lisboa: “Primeiro foi o escuro total. Depois, o som que nunca se esquece – não era fogo-de-artifício, eram bombas.” No meio do pânico, ninguém sabia ainda que, a poucos quilómetros dali, Fuerte Tiuna já era alvo direto.

Horas antes: ordem em Mar-a-Lago, silêncio em Caracas

A cronologia captura Maduro começa ainda no dia anterior, longe da Venezuela. Às 22h46 de 2 de janeiro (hora da Costa Leste dos EUA, 23h46 em Caracas), o Presidente Donald Trump dá a ordem final para executar a Operação Resolução Absoluta a partir de Mar-a-Lago, depois de confirmadas as “condições meteorológicas favoráveis”.

A máquina militar já estava posicionada: mais de 150 aeronaves, dispersas por 20 localizações no hemisfério, bombardeiros B-1B, caças F-22, aeronaves de guerra eletrónica e helicópteros do 160th SOAR, prontos a entrar na Venezuela a baixa altitude.

Em Caracas, nada disto era visível. A cidade vivia mais uma noite de cortes pontuais de luz e escassez de combustível. A única pista, para quem seguiu de perto a escalada de 2025, era política: a recompensa pela captura de Maduro tinha subido para 50 milhões de dólares meses antes e a retórica de Washington endurecera.

3 de janeiro, ~02h00: apagão e primeiras explosões

Por volta das 02h00 (hora local de Caracas), começa a fase cinética: ataques cibernéticos e de guerra eletrónica derrubam a rede elétrica da capital e cegam radares e sistemas de defesa antiaérea. Quase em simultâneo, registam-se as primeiras explosões em Fuerte Tiuna, na Base Aérea de La Carlota e em infraestruturas portuárias em La Guaira.

Televisões ficam em silêncio, redes móveis falham em vários bairros. Na cronologia da captura de Maduro, este é o ponto em que a operação deixa de ser invisível: dezenas de vídeos amadores começam a surgir, ainda durante a noite, mostrando clarões no céu e colunas de fumo em direção às bases militares.

02h01–02h30: helicópteros em Fuerte Tiuna e a captura

Às 02h01, helicópteros norte-americanos aterram no complexo de Fuerte Tiuna. São elementos da Delta Force e da equipa de resgate de reféns do FBI (HRT), integrados numa força de assalto helitransportada vinda do mar. Entram voando “a altitudes extremamente baixas” para contornar qualquer radar remanescente.

Entre as 02h02 e as 02h30, segue-se um tiroteio intenso dentro do complexo. O dossiê fala em resistência de forças venezuelanas e cubanas, um helicóptero norte-americano atingido mas ainda operacional, e “baixas significativas” do lado dos defensores.

É neste intervalo que, de acordo com a cronologia verificada, Maduro e Cilia Flores tentam alcançar uma sala segura blindada dentro da área residencial de Fuerte Tiuna. Não chegam a tempo. Por volta das 02h30, são dominados, algemados e formalmente detidos por agentes do FBI presentes na equipa – o momento central da cronologia captura Maduro.

Num prédio em Catia La Mar, a poucos quilómetros do porto de La Guaira, um rapaz de 17 anos grava o som dos helicópteros e coloca no WhatsApp de família uma mensagem curta: “Isto é guerra.” Ninguém, naquele momento, imagina que o presidente já não está em território venezuelano.

03h29–manhã: exfiltração, anúncio de Trump e estado de emergência

Às 03h29, a exfiltração é dada por concluída. O “pacote” – designação interna para Maduro e Flores – segue em helicóptero para o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, em águas internacionais.

Pouco depois das 04h00 em Caracas, Trump anuncia a operação na rede social Truth Social, com uma fotografia de Maduro vendado, com auscultadores de cancelamento de ruído e sob custódia. A imagem, que corre o mundo em minutos, cristaliza visualmente a cronologia da captura de Maduro: menos de três horas separam as primeiras explosões das primeiras imagens oficiais do detido.

Na manhã de 3 de janeiro, o governo venezuelano declara estado de emergência e fala em “agressão externa” e “estado de comoção externa”. Ao mesmo tempo, solicita uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, apoiada por China e Rússia.

Horas depois, o Secretário-Geral António Guterres divulga uma declaração onde classifica a operação como “precedente perigoso” e apela à contenção. O dia fecha com vários países – incluindo Brasil, México, Espanha, China e Rússia – a condenarem publicamente a ação norte-americana.

Noite de 3 de janeiro a 5 de janeiro: chegada a Nova Iorque e vazio de poder

Na noite de 3 de janeiro, Maduro chega à base aérea de Stewart, no Estado de Nova Iorque, antes de ser transferido para instalações sob responsabilidade da DEA em Manhattan. Vídeos oficiais mostram-no já em solo norte-americano, sob forte escolta.

A 4 de janeiro, uma declaração conjunta de seis países latino-americanos pede contenção e respeito pela soberania. No mesmo dia, o Tribunal Supremo venezuelano empossa Delcy Rodríguez como presidente interina, numa tentativa de preencher, no papel, o vazio deixado pela captura.

A cronologia captura Maduro fecha, por agora, com a imagem de 5 de janeiro, ao meio-dia em Manhattan: Nicolás Maduro e Cilia Flores entram num tribunal federal, declaram-se inocentes das acusações de narcoterrorismo e tráfico de cocaína, e um juiz marca as próximas diligências. O que começou como operação militar em Caracas transforma-se, em dois dias, num processo criminal em Nova Iorque.

O que sabemos e o que continua em falta

O dossiê distingue aquilo que está consolidado – horários de explosões, aterragem de helicópteros, momento da captura, transferência para o USS Iwo Jima, chegada a Nova Iorque – de zonas onde a cronologia ainda tem buracos: número exato de mortos e feridos, lista completa de alvos, extensão dos danos civis em bairros como Catia La Mar ou zonas residenciais perto de La Guaira.

Fontes venezuelanas falam em 40 a 80 mortos, incluindo 32 militares cubanos, e em bombardeamentos que atingiram complexos residenciais; os EUA reportam zero mortos do seu lado e apenas dois feridos ligeiros, números que ainda não foram verificados de forma independente.

Concessão honesta: mesmo com esta cronologia fina, não sabemos tudo. O que temos é um esqueleto temporal robusto – horas, movimentos, anúncios – sobre o qual se penduram histórias humanas fragmentadas. Mas uma coisa a cronologia captura Maduro já mostra, sem margem para grande dúvida: em menos tempo do que dura uma noite mal dormida, a fronteira entre guerra e “aplicação da lei” foi riscada a fogo no céu de Caracas.

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