Resumo
- Von Schnurbein disse que rever o acordo comercial com Israel poderia basear-se em “rumores sobre judeus” e afirmou que notícias sobre o envio de comida por Israel para Gaza estariam a ser ignoradas pela ONU e pela comunicação social.
- O documento indica que a responsável alertou ainda que ações solidárias como “vendas de bolos para Gaza” poderiam alimentar “antisemitismo ambiental” e afirmou que “perder Israel seria uma perda para a Europa”.
- O caso levanta dúvidas sobre a neutralidade da política externa da União Europeia e sobre se a luta contra o antissemitismo está a ser usada para proteger Israel.
Lisboa, 12 ago 2025 — Um documento secreto mostra que Katharina von Schnurbein, responsável da Comissão Europeia para o combate ao antissemitismo, tentou convencer embaixadores da União Europeia em Telavive a não aplicar sanções comerciais contra Israel.
A reunião aconteceu a 29 de maio, quando ministros da UE discutiam medidas inéditas após a morte de mais de 57 mil pessoas em Gaza, segundo dados da ONU. Von Schnurbein disse que rever o acordo comercial com Israel poderia basear-se em “rumores sobre judeus” e afirmou que notícias sobre o envio de comida por Israel para Gaza estariam a ser ignoradas pela ONU e pela comunicação social.
O documento indica que a responsável alertou ainda que ações solidárias como “vendas de bolos para Gaza” poderiam alimentar “antisemitismo ambiental” e afirmou que “perder Israel seria uma perda para a Europa”. Estas declarações entram em choque com relatórios da ONU e do próprio serviço diplomático europeu, que apontam violações graves cometidas por Israel.
Alguns diplomatas reagiram de imediato, avisando-a para não confundir críticas a políticas do governo israelita com preconceito contra judeus. “O lado israelita descarta todas as acusações de ataques a hospitais como ‘libelos de sangue’… mas estes são factos, e falar deles não é antissemita”, respondeu um dos presentes.
A Amnistia Internacional afirmou que as declarações de von Schnurbein “não são verdadeiras” e acusou-a de enfraquecer o respeito pelo direito internacional. O historiador israelita Amos Goldberg criticou o uso da expressão “antisemitismo ambiental” para descrever gestos de apoio aos palestinianos, chamando-lhe “um termo totalitário” e uma prova de hostilidade para com a solidariedade civil.
O caso levanta dúvidas sobre a neutralidade da política externa da União Europeia e sobre se a luta contra o antissemitismo está a ser usada para proteger Israel. A Comissão Europeia não respondeu até ao fecho desta edição.