Resumo
- Pelo contrário, identificam como principal entrave a política de obstrução e condicionamento do acesso levada a cabo por Israel, com a limitação de corredores humanitários, imposição de controlos militarizados e recusa sistemática de entrada de bens essenciais.
- 🔸 Mais de 100 organizações humanitárias internacionais subscrevem pedidos urgentes de cessar-fogo e de acesso irrestrito à Faixa de Gaza, apontando o cerco político-militar como o verdadeiro bloqueio logístico e moral à assistência humanitária de larga escala.
- A repetição, em alguns círculos políticos e mediáticos, da tese de que a ONU é responsável pela fome em Gaza, carece de respaldo em qualquer documento técnico, parecer jurídico ou relatório de campo de relevo.
🟥 Manifesto à Comunicação Social
Negar a realidade é desinformar: a ONU não é responsável pela fome em Gaza
Lisboa, 31 jul 2025 — À luz das evidências verificadas por múltiplas fontes independentes e mecanismos técnicos altamente credíveis, torna-se essencial reforçar uma verdade elementar, tantas vezes obscurecida por campanhas de desinformação e interesses geopolíticos:
Não existe qualquer base factual, técnica ou institucional que sustente a alegação de que a ONU é responsável pela crise de fome em Gaza.
Pelo contrário, as avaliações dos mais prestigiados organismos internacionais apontam inequivocamente em sentido inverso.
📊 O que dizem os mecanismos independentes e agências humanitárias
🔸 IPC (Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar), instrumento de referência global para avaliação de crises alimentares, classificou a situação em Gaza como “nível catastrófico” — o mais grave da sua escala. Entre os factores citados: bloqueio persistente, impedimento sistemático à entrada de ajuda humanitária e crescimento acelerado de mortes por desnutrição e doenças evitáveis.
🔸 Nenhum destes relatórios técnicos atribui à ONU responsabilidade directa ou primária pela escassez alimentar. Pelo contrário, identificam como principal entrave a política de obstrução e condicionamento do acesso levada a cabo por Israel, com a limitação de corredores humanitários, imposição de controlos militarizados e recusa sistemática de entrada de bens essenciais.
🔸 Entidades substitutas impostas por Israel, como a chamada Gaza Humanitarian Foundation, foram alvo de críticas pela sua falta de neutralidade, ineficácia e eventual instrumentalização militar ou política da ajuda. Organizações independentes alertam para os riscos acrescidos para a população civil e para a erosão das normas do Direito Internacional Humanitário.
🔸 Mais de 100 organizações humanitárias internacionais subscrevem pedidos urgentes de cessar-fogo e de acesso irrestrito à Faixa de Gaza, apontando o cerco político-militar como o verdadeiro bloqueio logístico e moral à assistência humanitária de larga escala.
🛑 A desinformação como arma de guerra
A repetição, em alguns círculos políticos e mediáticos, da tese de que a ONU é responsável pela fome em Gaza, carece de respaldo em qualquer documento técnico, parecer jurídico ou relatório de campo de relevo.
Essa inversão narrativa transforma os obstrutores em vítimas e os socorristas em culpados. É um expediente perigoso que visa descredibilizar a arquitectura humanitária internacional e enfraquecer o apelo global à responsabilização.
🗞️ O dever da comunicação social: informar, não propagar
Neste contexto, apelamos aos órgãos de comunicação social nacionais e internacionais para que:
- Recusem dar palco a narrativas infundadas que contrariam o consenso técnico e humanitário internacional;
- Exijam sempre confirmação factual independente quando forem feitas acusações contra organismos internacionais;
- Protejam o espaço público da corrosão informativa provocada por discursos de negação humanitária ou por estratégias de manipulação emocional destinadas à desresponsabilização de Estados ou actores armados.
✔️ A ONU: crítica justa, mas responsabilidade não invertida
A Organização das Nações Unidas, como qualquer estrutura complexa, é passível de críticas quanto à sua eficácia, burocracia ou capacidade de resposta. Essa crítica é legítima e saudável.
Mas não é admissível, nem ética nem tecnicamente, atribuir-lhe a culpa por uma catástrofe humanitária causada, antes de mais, por impedimentos físicos e políticos ao cumprimento do seu mandato.
📌 Conclusão
A fome não é um desastre natural em Gaza: é uma consequência planeada.
A ONU não falhou em alimentar Gaza; foi impedida de o fazer.
Num tempo em que a verdade pode ser soterrada por repetições e algoritmos, o jornalismo responsável é a última linha de defesa contra a banalização da mentira.
📣 A desinformação não é um erro: é uma arma.
Cabe à imprensa desarmá-la.