“Não se falava disso.” Esta frase, repetida à exaustão por quem viveu sob o Estado Novo, não é apenas uma constatação — é um código. Durante quase meio século de ditadura, o silêncio tornou-se uma forma de defesa e, em muitos casos, de sobrevivência. Mas por que razão tantos portugueses, confrontados com a censura, a repressão e os abusos da PIDE, escolheram o fingimento? Que dinâmicas sociais, culturais e psicológicas sustentaram esse manto de normalidade aparente?
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Como era viver com medo de ser denunciado à PIDE?
Durante quase meio século, Portugal viveu sob a sombra de um regime que cultivava o medo como ferramenta de controlo. No quotidiano da ditadura salazarista, o silêncio era um reflexo de sobrevivência e a desconfiança um instinto vital. A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), braço repressivo do Estado Novo, infiltrava-se nas ruas, nas casas e até nas conversas mais banais. Qualquer palavra fora do tom podia ser interpretada como delito. E qualquer cidadão podia ser denunciado — por um vizinho, um colega ou até por alguém da própria família.