Numa sala austera em Jerusalém, em 1961, senta-se Adolf Eichmann, ex-oficial nazi acusado de organizar a deportação de milhões de judeus. O mundo espera ver um monstro. O que encontra é um funcionário acanhado, de óculos espessos e frases feitas. Ao observá-lo, a filósofa Hannah Arendt escreve: “não era estupidez, era uma espécie de vazio — um fracasso em pensar.”
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EGELI
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“A Máquina e o Homem: Quando a Burocracia Faz o Trabalho Sujo”
Num pequeno gabinete do Estado fascista italiano, durante os anos 30, técnicos redigiam relatórios sobre a expropriação de bens de famílias judias. Tudo parecia limpo, contido, administrativo. O organismo encarregado — EGELI (Ente di Gestione e Liquidazione Immobiliare) — referia-se às vítimas como “propriedade judaica”, “activos improdutivos”, “documentos a liquidar”. Os responsáveis não usavam uniforme militar, mas traje civil. A violência acontecia por escrito.