Estado de Direito Submerso: Quando a Lei do Mar é

Ignorada em Terra Apesar das leis sólidas que protegem o litoral português, a sua aplicação desvanece-se perante os interesses do turismo de luxo. O caso Tróia–Melides é sintomático de uma erosão jurídica tão alarmante quanto a ecológica. A costa portuguesa não é só paisagem: é património, direito e memória colectiva. Desde o Decreto Régio de 1864 até à Lei do Domínio Hídrico (Lei n. º 54/2005), Portugal firmou um compromisso histórico com o acesso público ao litoral. Contudo, entre Tróia e Melides, esse compromisso está a ser traído. No terreno, a lei afoga-se sob os efeitos de uma fiscalidade ineficaz, de uma justiça lenta e de uma cultura institucional que tolera a apropriação do bem comum.
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