Resumo
- O mandado contra Benjamin Netanyahu, longe de unir a União Europeia em torno do tribunal que todos os seus membros ratificaram, expôs uma divisão profunda sobre se a lei se aplica a um aliado.
- Afirmou que cumpriria o mandadoIslândiaDeclarou que honraria o mandado do tribunalPaíses BaixosAfirmou aplicar o Estatuto de Roma sem reservasBélgicaDisse que assumiria a sua responsabilidade, sem dois pesos e duas medidasIrlandaIndicou que agiria sobre o mandadoEslovéniaSinalizou que cumpririaEspanhaManifestou respeito pela decisão e disposição para cumprirPortugalPaulo Rangel afirmou que o país cumprirá as suas obrigações internacionais caso a questão se coloqueCanadáConfirmou que deteria Netanyahu se este entrasse no paísSuíça, Luxemburgo, Lituânia, LetóniaEntre os que indicaram cumprimento.
- Se a aplicação de um mandado depende de quem governa cada capital, e muda com cada eleição, o que resta da ideia de uma ordem jurídica comum.
Quem prende, quem protege, quem hesita: a Europa rachada sobre Netanyahu
O mandado do Tribunal Penal Internacional partiu a Europa em três campos. Uns comprometem-se a deter, outros invocam imunidade, outros recusam — e há os que preferem não responder.
O mandado contra Benjamin Netanyahu, longe de unir a União Europeia em torno do tribunal que todos os seus membros ratificaram, expôs uma divisão profunda sobre se a lei se aplica a um aliado.
Eis o mapa, organizado por posição declarada. As posições podem evoluir; este retrato tem data de corte em junho de 2026.
Os que se comprometem a deter
| País | Posição |
|---|---|
| Noruega | Dos mais explícitos; afirmou que cumpriria o mandado |
| Islândia | Declarou que honraria o mandado do tribunal |
| Países Baixos | Afirmou aplicar o Estatuto de Roma sem reservas |
| Bélgica | Disse que assumiria a sua responsabilidade, sem dois pesos e duas medidas |
| Irlanda | Indicou que agiria sobre o mandado |
| Eslovénia | Sinalizou que cumpriria |
| Espanha | Manifestou respeito pela decisão e disposição para cumprir |
| Portugal | Paulo Rangel afirmou que o país cumprirá as suas obrigações internacionais caso a questão se coloque |
| Canadá | Confirmou que deteria Netanyahu se este entrasse no país |
| Suíça, Luxemburgo, Lituânia, Letónia | Entre os que indicaram cumprimento |
Os que invocam imunidade
| País | Posição |
|---|---|
| França | Invocou a tese da imunidade por Israel não ser membro do tribunal — leitura contestada por juristas e organizações de direitos humanos |
| Itália | Teve sinais contraditórios: reconheceu a obrigação jurídica em declarações iniciais, mas surgiram leituras políticas posteriores mais cautelosas |
Os que recusam
| País | Posição |
|---|---|
| Hungria | Recusou sob Orbán; reverteu a posição em 2026 sob Magyar, que prometeu deter |
| Argentina | Sinalizou que não deteria |
| Chéquia, Roménia | Entre os que recusaram cumprir |
| Polónia | Indicou que procuraria proteger Netanyahu |
Os que hesitam
Nem todos quiseram comprometer-se. O Reino Unido e a Suécia limitaram-se a dizer que poderiam deter, ou que decidiriam caso a situação se tornasse real. A Dinamarca remeteu para uma avaliação caso a caso das autoridades nacionais, sem garantir uma detenção. A Áustria, aliada de Israel, classificou o mandado como incompreensível — mas acrescentou que o direito internacional se aplica sempre.
Aqui mora um aviso necessário. É tentador tratar os cinco países nórdicos como um bloco; não são. A Noruega e a Islândia foram firmes. A Suécia e a Dinamarca, bem mais cautelosas. Afirmar que "os nórdicos prenderiam Netanyahu" seria simplificar de mais — e errar.
A pergunta que fica é desconfortável para a União. Se a aplicação de um mandado depende de quem governa cada capital, e muda com cada eleição, o que resta da ideia de uma ordem jurídica comum? O mapa responde por si: vinte e sete países, e nem sequer um consenso sobre a mesma lei.