GHF: a fundação americana no centro da fome em Gaza - Sociedade Civil
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Resumo

  • A GHF começou a operar em maio de 2025, com apoio dos governos dos Estados Unidos e de Israel, como alternativa à distribuição tradicional de ajuda coordenada pela ONU e parceiros humanitários.
  • A razão invocada foi a falta de neutralidade, independência e segurança operacional quando a ajuda alimentar passa a ser distribuída dentro de uma cadeia militarizada.
  • O gabinete de direitos humanos da ONU e organizações médicas documentaram mortes recorrentes de pessoas que tentavam obter comida junto de pontos de distribuição ou em rotas de ajuda.

A Gaza Humanitarian Foundation substituiu parte da distribuição de ajuda antes assegurada pela ONU. Operada com apoio dos EUA e de Israel, em zonas controladas por Israel, tornou-se alvo de denúncias de agências humanitárias e organizações médicas.

O incidente de 16 de julho de 2025 num ponto de distribuição alimentar em Khan Younis tornou-se símbolo do modelo. A Gaza Humanitarian Foundation falou em multidão instigada por agitadores armados. Autoridades de saúde em Gaza relataram mortos por esmagamento e asfixia. A imprensa internacional confirmou pelo menos 20 mortos.

Quem é a GHF

A GHF começou a operar em maio de 2025, com apoio dos governos dos Estados Unidos e de Israel, como alternativa à distribuição tradicional de ajuda coordenada pela ONU e parceiros humanitários. O modelo deslocou a distribuição para zonas sob controlo militar israelita e envolveu contratantes privados.

As Nações Unidas e várias grandes organizações humanitárias recusaram cooperar com a GHF. A razão invocada foi a falta de neutralidade, independência e segurança operacional quando a ajuda alimentar passa a ser distribuída dentro de uma cadeia militarizada.

O que foi documentado

O gabinete de direitos humanos da ONU e organizações médicas documentaram mortes recorrentes de pessoas que tentavam obter comida junto de pontos de distribuição ou em rotas de ajuda. Os números variam conforme a metodologia e a fonte, mas apontam para centenas de mortos em torno de operações ligadas à distribuição de alimentos.

A GHF rejeita responsabilidade por mortes nas imediações dos seus pontos e acusa o Hamas de explorar ou desestabilizar multidões. O argumento deve ser registado. Mas não responde à questão central: porque é que um sistema humanitário passa a produzir filas onde a procura de comida se cruza com controlo militar, armas e pânico.

O precedente

A privatização da ajuda humanitária em zona de conflito abre precedente. Se alimentos passam por fundações apoiadas por governos beligerantes, com segurança privada e perímetros militares, a ajuda deixa de ser apenas ajuda. Passa a ser instrumento de governação do território.

Em Gaza, contam-se mortos entre os que procuravam pão. Isso basta para exigir auditoria internacional independente.

Fontes

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