Resumo
- Mais de 800 palestinianos morreram em Gaza desde o início do cessar-fogo a 10 de outubro de 2025, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza citados por agências internacionais e imprensa regional.
- Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, dados do Gaza Government Media Office citados pela imprensa internacional apontam para entrada de cerca de 43% dos camiões de ajuda previstos.
- Entre 7 de outubro de 2023 e maio de 2026, a contagem de mortos em Gaza ultrapassou largamente as dezenas de milhares.
Sete meses depois, o plano de paz anunciado por Donald Trump falha nos seus pontos centrais e os números de Gaza continuam a piorar. A ajuda entrou abaixo do acordado, a UNRWA continua bloqueada e centenas de palestinianos morreram desde outubro.
Mais de 800 palestinianos morreram em Gaza desde o início do cessar-fogo a 10 de outubro de 2025, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza citados por agências internacionais e imprensa regional. A diplomacia chama-lhe paz. O terreno diz outra coisa.
Os 20 pontos e o que sobrou deles
O plano de 20 pontos foi apresentado como viragem histórica. Previa cessar-fogo, libertação de reféns, aumento da ajuda humanitária, desmilitarização e reconstrução. Meses depois, vários pilares operacionais continuam incompletos.
Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, dados do Gaza Government Media Office citados pela imprensa internacional apontam para entrada de cerca de 43% dos camiões de ajuda previstos. A média ficou longe dos 600 camiões diários anunciados como referência.
A OCHA continua a registar restrições a itens essenciais para saúde, saneamento, energia e reconstrução. A ajuda que entra não compensa a escala de destruição acumulada.
Trinta e sete organizações banidas
Antes e depois do cessar-fogo, Israel restringiu de forma crescente o trabalho de organizações humanitárias. Peritos das Nações Unidas alertaram em janeiro de 2026 para o banimento de 37 organizações, incluindo Médicos Sem Fronteiras, Oxfam e Norwegian Refugee Council.
A UNRWA, agência central na resposta humanitária palestiniana, ficou bloqueada por legislação israelita que entrou em vigor em janeiro de 2025. Sem a UNRWA, o sistema humanitário passou a depender de alternativas mais frágeis e politicamente contestadas.
A paz que deixa de contar mortos
A partir do momento em que se declara cessar-fogo, há tendência para retirar Gaza da urgência permanente. O problema é que as mortes continuaram, a ajuda continuou limitada e a reconstrução ficou praticamente bloqueada.
Entre 7 de outubro de 2023 e maio de 2026, a contagem de mortos em Gaza ultrapassou largamente as dezenas de milhares. A OMS estima que dezenas de milhares de pessoas ficaram com lesões permanentes. Estes números são contestados por Israel, mas estudos independentes têm apontado para provável subnotificação.
Da palavra paz, ficou o eco. No terreno, ficou uma contagem que continua.
Fontes
- Al Jazeera — violações do cessar-fogo e dados de ajuda
- ONU/UNISPAL — peritos da ONU sobre banimento de 37 ONG
- OCHA — Humanitarian Situation Report, 1 de maio de 2026
- OCHA — Flash Appeal 2026 at a Glance
- ONU — relatório A/HRC/60/CRP.3 da Comissão de Inquérito
- ONU/UNISPAL — Portugal reconhece formalmente o Estado da Palestina
- ABC News — incidente em ponto da Gaza Humanitarian Foundation
- The Guardian — mortos em distribuição alimentar da GHF
- Associated Press — GHF e crowd surge em Khan Younis
- UNRWA — Flash Appeal 2026 para o território palestiniano ocupado