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Resumo

  • Setenta e seis anos após a fundação do Estado de Israel, a realidade no terreno continua marcada pela expulsão forçada, pelo cerco militar e por políticas de dominação que, para várias organizações de direitos humanos, configuram uma limpeza étnica.
  • No mês de Julho de 2025, novas denúncias voltaram a colocar o foco na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza, onde mais de cinco milhões de palestinianos vivem sem acesso a serviços básicos, liberdade de circulação ou protecção internacional.
  • mais de 35 mil mortos desde o início da ofensiva militar de Israel, entre os quais mais de 14 mil crianças, segundo a UNICEF e o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).

A colonização israelita da Palestina não é apenas uma disputa territorial: é, segundo as Nações Unidas, um caso prolongado de ocupação ilegal, apartheid e possível crime contra a humanidade. Desde 1948, o povo palestiniano tem sido sistematicamente desalojado, segregado e privado dos seus direitos fundamentais.

Setenta e seis anos após a fundação do Estado de Israel, a realidade no terreno continua marcada pela expulsão forçada, pelo cerco militar e por políticas de dominação que, para várias organizações de direitos humanos, configuram uma limpeza étnica. No mês de Julho de 2025, novas denúncias voltaram a colocar o foco na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza, onde mais de cinco milhões de palestinianos vivem sem acesso a serviços básicos, liberdade de circulação ou protecção internacional.

Ocupação e colonatos: um sistema de domínio racializado

Segundo o último relatório da Amnistia Internacional, publicado em Junho de 2025, o sistema legal e administrativo imposto por Israel aos palestinianos “corresponde claramente à definição de apartheid no direito internacional”. A ONG sublinha a existência de duas realidades paralelas: uma para os cidadãos judeus israelitas, outra para os palestinianos — mesmo quando vivem na mesma área geográfica.

Na Cisjordânia, os colonatos ilegais continuam a expandir-se. Existem actualmente mais de 700 mil colonos israelitas em território palestiniano ocupado, de acordo com a ONU. Estes colonos beneficiam de infra-estruturas modernas, acesso a água potável, escolas e estradas exclusivas — ao contrário da população palestiniana local, sujeita a checkpoints militares, demolições arbitrárias e detenções sem julgamento.

Gaza: bloqueio total e punição colectiva

Na Faixa de Gaza, onde vivem cerca de 2,3 milhões de pessoas, o bloqueio imposto por Israel há 18 anos agravou-se drasticamente desde Outubro de 2023. A ONU já alertou para “condições próximas da fome generalizada” e um colapso total da infraestrutura sanitária e hospitalar.

Os números são devastadores: mais de 35 mil mortos desde o início da ofensiva militar de Israel, entre os quais mais de 14 mil crianças, segundo a UNICEF e o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA). As forças israelitas bombardearam hospitais, escolas, mesquitas e até instalações da própria ONU.

“O que está a acontecer em Gaza não é uma guerra entre dois exércitos — é o massacre de uma população civil cercada”, afirmou em conferência de imprensa Michael Lynk, antigo relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinianos Ocupados.

A limpeza étnica que nunca terminou

Historiadores como Ilan Pappé ou Rashid Khalidi sustentam que o plano de colonização começou antes de 1948 e nunca foi interrompido. O objectivo? Garantir uma maioria judaica no território histórico da Palestina. Para isso, foram expulsas mais de 750 mil pessoas durante a Nakba (a “catástrofe” palestiniana de 1948), um processo que se mantém através de políticas de expropriação, intimidação e fragmentação territorial.

A cidade de Jerusalém Oriental, ocupada em 1967, é hoje palco de despejos forçados e da “judaização” progressiva dos bairros palestinianos, denuncia a organização israelita B’Tselem.

Direitos negados, resistência persistente

Apesar da gravidade da situação, a Palestina continua sem um Estado reconhecido e sem acesso ao Tribunal Penal Internacional em condições de igualdade. Os Acordos de Oslo, assinados na década de 1990, fracassaram na criação de uma solução viável. Pelo contrário, consolidaram o controlo militar israelita.

A resistência palestiniana, nas suas múltiplas formas — da diplomacia à mobilização popular — permanece viva. Movimentos como o BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) apelam ao fim da cumplicidade internacional com a ocupação. Em várias universidades europeias e norte-americanas, os protestos estudantis multiplicaram-se em 2024 e 2025, exigindo cortes de laços institucionais com Israel.

A responsabilidade internacional

O apoio financeiro e militar dos Estados Unidos e da União Europeia a Israel é visto como um obstáculo à justiça. Só em 2024, Washington forneceu mais de 14 mil milhões de dólares em ajuda militar a Israel, apesar das denúncias de crimes de guerra.

Em Maio de 2025, o Tribunal Internacional de Justiça emitiu um parecer provisório que responsabiliza Israel por práticas que violam a Convenção contra o Apartheid e o Estatuto de Roma. Embora o processo continue em curso, várias vozes da diplomacia internacional defendem sanções imediatas e o fim das exportações de armas.

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