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Resumo

  • A 17 de janeiro de 2024, ordenou a transferência de centenas de detidos para instalações sem acesso a advogados, declarando.
  • A presença da extrema-direita no centro do poder não é um acidente, mas o resultado de uma viragem eleitoral e ideológica.
  • Ambos defendem abertamente a “transferência” de populações palestinianas, a expansão dos colonatos e o uso da prisão como ferramenta de guerra psicológica.


O sistema de detenção israelita não opera no vazio. Por trás das práticas de tortura, desaparecimentos forçados e morte sob custódia está uma engrenagem política cada vez mais radicalizada. Nos últimos dois anos, figuras como Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, ministro das Finanças, moldaram com declarações e decisões a impunidade institucional que protege abusadores e pune denunciantes.

Ben-Gvir é hoje o rosto mais visível da extrema-direita israelita. Desde que assumiu o controlo do sistema prisional, em 2022, tem promovido uma política de “tolerância zero” para com prisioneiros palestinianos. Não no sentido de manter a ordem, mas de endurecer as condições, cortar direitos e sabotar qualquer mecanismo de fiscalização externa.


Cérebros de uma arquitectura repressiva

Em várias ocasiões, Ben-Gvir elogiou publicamente a violência dos guardas prisionais. Chegou a publicar fotos a visitar centros de detenção com o slogan “mais punição, menos regalias”. A 17 de janeiro de 2024, ordenou a transferência de centenas de detidos para instalações sem acesso a advogados, declarando: “quem quer guerra, terá guerra”.

Já Smotrich, com controlo sobre os orçamentos civis e militares, congelou fundos destinados à assistência jurídica e bloqueou financiamento a organismos que colaboram com a ONU. Para o analista político Shimrit Meir, trata-se de uma estratégia concertada para enfraquecer o sistema de freios e contrapesos.


Sabotar investigações, proteger abusadores

Relatórios de ONGs israelitas indicam que várias investigações internas sobre abusos em prisões foram encerradas por pressão política. Testemunhas foram ameaçadas, procuradores afastados e relatórios censurados. Em pelo menos cinco casos documentados pela ONG Hamoked, agentes acusados de tortura foram promovidos.

Segundo Amira Hass, jornalista do Haaretz, existe uma “cultura de impunidade reforçada pela liderança política, que encoraja o uso da brutalidade como expressão de patriotismo”. Este ambiente mina qualquer tentativa de responsabilização judicial e alimenta uma espiral de violência institucionalizada.


Extrema-direita como eixo de governo

A presença da extrema-direita no centro do poder não é um acidente, mas o resultado de uma viragem eleitoral e ideológica. Ben-Gvir e Smotrich não são marginais: são ministros com poder efectivo, influência orçamental e capacidade de bloquear ou impelir reformas.

Ambos defendem abertamente a “transferência” de populações palestinianas, a expansão dos colonatos e o uso da prisão como ferramenta de guerra psicológica. São apoiados por uma base eleitoral que rejeita concessões, direitos iguais e vigilância internacional.

Quando os abusos se tornam política de Estado, ainda há espaço para a democracia? E quando os ministros transformam centros de detenção em laboratórios de crueldade, que futuro sobra para a justiça?


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