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Resumo

  • Israel apresentou uma gravação de uma suposta chamada telefónica para tentar demonstrar que a explosão no hospital de Gaza teria sido causada por um foguete da Jihad Islâmica e não por um ataque aéreo israelita .
  • Mais grave ainda, a Amnistia apresentou provas de que Israel usa a fome como arma de guerra, ao bloquear a entrada de alimentos e bombardear infraestruturas essenciais, levando a níveis agudos de desnutrição .
  • Até mesmo as próprias Forças de Defesa de Israel reconheceram erros mortais em ataques que vitimaram trabalhadores humanitários , mas continuam a não apresentar provas sólidas que os ligassem a grupos armados.

O artigo publicado no Observador pelo embaixador de Israel que nega a existência de fome em Gaza não é apenas impreciso.

A fome que nunca existiu: como o Hamas conseguiu fabricar um libelo de sangue contra Israel

É perigoso. Porque ao relativizar ou negar indicadores claros de catástrofe humanitária, legitima práticas de guerra que colocam milhões de civis palestinianos à beira da sobrevivência.

Não faltam provas. Israel apresentou uma gravação de uma suposta chamada telefónica para tentar demonstrar que a explosão no hospital de Gaza teria sido causada por um foguete da Jihad Islâmica e não por um ataque aéreo israelita . Contudo, investigações independentes da Amnistia Internacional sobre ataques em bairros residenciais revelaram que, em diversos casos, não havia qualquer alvo militar visível, apenas famílias inteiras mortas debaixo de escombros . Estes ataques violam frontalmente o Direito Internacional Humanitário, que obriga as forças em conflito a proteger civis.

Mais grave ainda, a Amnistia apresentou provas de que Israel usa a fome como arma de guerra, ao bloquear a entrada de alimentos e bombardear infraestruturas essenciais, levando a níveis agudos de desnutrição . O que a ONU confirma: até julho de 2025, pelo menos 101 pessoas, incluindo 80 crianças, morreram de desnutrição, segundo dados do OCHA. E as projeções apontam para dezenas de milhares de crianças em risco até março de 2026. Como negar?

Hospitais e profissionais de saúde também não escapam. Relatórios documentam ataques deliberados do exército israelita contra instalações médicas , algo proibido de forma absoluta pela Convenção de Genebra. Até mesmo as próprias Forças de Defesa de Israel reconheceram erros mortais em ataques que vitimaram trabalhadores humanitários , mas continuam a não apresentar provas sólidas que os ligassem a grupos armados.

Perante este quadro, insistir que “a fome nunca existiu” ou que “é uma invenção propagandística” é um insulto às vítimas e um ataque à verdade. Os dados do IPC (sistema internacional de classificação de crises alimentares), da OMS e do Programa Alimentar Mundial colocam Gaza entre os piores cenários de fome do planeta em 2025-2026. Ignorar isto é alinhar com a propaganda de guerra.

O que está em causa não é uma disputa semântica ou ideológica. É a vida de 2,2 milhões de pessoas encurraladas, privadas de água, eletricidade, medicamentos e pão. É a tentativa sistemática de reduzir uma população inteira à inanição como estratégia militar — prática que a lei internacional define como crime de guerra e, quando sistemática, como ato genocida.

Pode alguém olhar para crianças esqueléticas, hospitais destruídos e filas intermináveis por farinha estragada e ainda sustentar que “a fome nunca existiu”? Não é apenas negação. É cumplicidade.

👉 A fome em Gaza é documentada, medida e sentida em cada corpo que definha. Negá-la é repetir a violência.

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