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Resumo

  • Genebra, 7 ago 2025 — A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que cerca de 12 mil crianças com menos de cinco anos vivem atualmente com desnutrição aguda na Faixa de Gaza, o maior número mensal já registado desde o início da recolha destes dados.
  • Segundo o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 81% das famílias em Gaza registam consumo alimentar pobre, face a 33% em abril, marcando o nível mais baixo desde o início da guerra em outubro de 2023.
  • A crise alimentar soma-se à destruição de infraestruturas, ao colapso dos serviços de saúde e ao deslocamento forçado de grande parte da população de 2,2 milhões de habitantes.

Quase 12 mil menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda no território, enquanto a ajuda humanitária continua insuficiente e mortes relacionadas à fome aumentam.

Genebra, 7 ago 2025 — A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que cerca de 12 mil crianças com menos de cinco anos vivem atualmente com desnutrição aguda na Faixa de Gaza, o maior número mensal já registado desde o início da recolha destes dados. O diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que os casos dispararam em julho, ao mesmo tempo que as mortes associadas à fome crescem.

Entre janeiro e 29 de julho, pelo menos 99 pessoas morreram devido a causas relacionadas com a desnutrição, incluindo 35 crianças — 29 delas com menos de cinco anos. De acordo com dados mais recentes do UNICEF, o número de menores admitidos em unidades de tratamento quase duplicou de junho para julho, passando de 6.344 para 11.877. Destas, cerca de 2.500 apresentam desnutrição grave.

“O volume global de suplementos nutricionais continua completamente insuficiente para evitar a deterioração. É preciso inundar o mercado e garantir diversidade alimentar”, alertou Rik Peeperkorn, representante da OMS nos Territórios Palestinianos Ocupados.

Acesso humanitário sob forte restrição

A ONU já classificou a situação como “fome, pura e simples”. Segundo o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 81% das famílias em Gaza registam consumo alimentar pobre, face a 33% em abril, marcando o nível mais baixo desde o início da guerra em outubro de 2023.

Nos últimos 15 dias, apenas 14% da ajuda necessária entrou no enclave, segundo dados das autoridades locais. O bloqueio e a intensidade dos combates dificultam a entrada de mantimentos, suplementos para bebés e outros bens essenciais.

Contexto de guerra e crise social

Desde o início da ofensiva israelita, em 7 de outubro de 2023, mais de 61.430 palestinianos foram mortos e 153.213 ficaram feridos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. Só nas últimas 24 horas, foram registadas 61 mortes e 363 feridos.

A crise alimentar soma-se à destruição de infraestruturas, ao colapso dos serviços de saúde e ao deslocamento forçado de grande parte da população de 2,2 milhões de habitantes.

Apelos internacionais

Tedros e outros responsáveis das Nações Unidas pedem a abertura imediata e sustentada de corredores humanitários por todas as rotas possíveis. O objetivo é garantir abastecimento contínuo de alimentos, água potável e cuidados médicos, com prioridade para crianças e grupos vulneráveis.

“A cada dia que passa, aumentam as hipóteses de mais crianças morrerem de fome”, advertiu Ramesh Rajasingham, diretor de coordenação do OCHA, numa reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Enquanto diplomatas debatem soluções políticas, organizações humanitárias alertam que o tempo se esgota. Sem ação imediata, o cenário de fome poderá transformar-se numa catástrofe de dimensões irreversíveis.

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