Resumo
- O que a ERC consegue (e o que não consegue)O relatório descreve que a persistência destas práticas levou a intervenções de reguladores e outros organismos.
- E mostra, em tabela, a intervenção da ERC em 2023 precisamente sobre “uso de logótipos de media”, com conclusão de alerta de desinformação.
- Mas quando o objetivo é induzir o leitor em erro sobre a origem, não estamos a falar de criatividade.
A credibilidade não se falsifica só com palavras
Uma notícia falsa pode ser desmontada com um link. Uma notícia “com cara de jornal” cola-se de outra maneira. O olho faz a triagem antes do cérebro: tipografia familiar, barra de título, cores associadas a um media, e o leitor conclui “isto é de um jornal”. A seguir vem o resto — indignação, partilha, certeza.
Uma marca de realidade: na Baixa, junto à Rua do Ouro, vi um “print” a circular com ar de manchete. A pessoa que o mostrava não citava a fonte; apontava para o grafismo, como se o grafismo fosse fonte.
Daquela promessa, restou apenas o eco.
Micro-história: o “está aqui” que fecha a conversa
Num grupo de família, alguém manda uma imagem com logótipo e título em letras gordas. A discussão termina logo ali com duas palavras: “está aqui”. A imagem passa a funcionar como sentença. O facto de não haver link, data, autor ou contexto deixa de importar — porque o público já reconheceu a máscara.
Invertida fica a ordem: primeiro a autoridade visual, depois a verificação — se ainda houver paciência.
O que a ERC consegue (e o que não consegue)
O relatório descreve que a persistência destas práticas levou a intervenções de reguladores e outros organismos. E mostra, em tabela, a intervenção da ERC em 2023 precisamente sobre “uso de logótipos de media”, com conclusão de alerta de desinformação.
Poderiam argumentar que isto é “só design”, que a política sempre usou estética e que não se pode proibir um grafismo. A concessão honesta é esta: há zonas cinzentas — inspiração, paródia, sátira, linguagem visual comum.
Mas quando o objetivo é induzir o leitor em erro sobre a origem, não estamos a falar de criatividade. Estamos a falar de camuflagem. E a camuflagem, num contexto eleitoral, é uma forma de manipulação do consentimento.
A frase de impacto fica curta e seca: se parece jornal e não é jornal, já começou a mentira.