Resumo
- Ao longo das décadas, o Conselho de Segurança aprovou várias resoluções para travar a ocupação israelita e reconhecer o Estado palestiniano, mas todas foram bloqueadas ou esvaziadas pelos vetos dos EUA e de aliados ocidentais.
- A sua dependência financeira de potências ocidentais compromete a sua imparcialidade, e a ausência de mecanismos de execução torna inócuas as suas decisões.
- Sem a aplicação do direito de retorno e o fim da ocupação, a ONU continuará a ser vista pelos palestinianos como uma instituição que fala de justiça, mas não consegue concretizá-la.
A tragédia da Nakba é reconhecida há 75 anos, mas as promessas de retorno e justiça continuam por cumprir. A ONU assumiu um papel central no conflito israelo-palestiniano desde 1948, ao aprovar a Resolução 194 que reconhece o direito dos refugiados a regressarem às suas casas.
No entanto, a realidade mostra que esta resolução nunca foi implementada. Em vez disso, a ONU criou a UNRWA para prestar assistência humanitária aos refugiados, transformando uma medida temporária em solução permanente. Milhões de palestinianos continuam a viver em campos na Jordânia, Líbano, Síria, Gaza e Cisjordânia sem qualquer perspectiva de regresso.
Ao longo das décadas, o Conselho de Segurança aprovou várias resoluções para travar a ocupação israelita e reconhecer o Estado palestiniano, mas todas foram bloqueadas ou esvaziadas pelos vetos dos EUA e de aliados ocidentais. A Resolução 242 de 1967, que exige a retirada dos territórios ocupados, permanece ignorada; a Resolução 446 de 1979, que declara ilegais os colonatos, nunca foi aplicada.
Para muitos analistas, a ONU tornou-se um “gestor da ocupação” em vez de um agente de resolução. A sua dependência financeira de potências ocidentais compromete a sua imparcialidade, e a ausência de mecanismos de execução torna inócuas as suas decisões.
Mesmo quando a Assembleia Geral reconheceu simbolicamente a Nakba em 2023, a cerimónia teve mais valor simbólico do que efeito prático. Israel e os seus aliados consideraram a comemoração uma afronta, mas não houve quaisquer medidas concretas para respeitar o direito de retorno.
A questão central permanece: quantas resoluções são necessárias para garantir justiça? Até que ponto a ONU pode exigir cumprimento quando os principais financiadores preferem manter o status quo?
Esta história de promessas não cumpridas é uma ferida aberta na consciência internacional. Sem a aplicação do direito de retorno e o fim da ocupação, a ONU continuará a ser vista pelos palestinianos como uma instituição que fala de justiça, mas não consegue concretizá-la.