Resumo
- Lisboa, 10 ago 2025 – A operação militar israelita “Iron Wall”, iniciada em janeiro deste ano, mantém mais de 30 mil palestinianos impedidos de regressar às suas casas nas áreas de Tulkarm e Jenin, no norte da Cisjordânia, revelou a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
- Controvérsia internacional Israel alega que a “Iron Wall” é essencial para prevenir ataques armados, mas a ONU e várias ONG acusam a medida de constituir deslocação forçada, em violação do direito internacional humanitário.
- “Impedir o regresso de civis por tempo indeterminado é punição coletiva”, declarou um porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Lisboa, 10 ago 2025 – A operação militar israelita “Iron Wall”, iniciada em janeiro deste ano, mantém mais de 30 mil palestinianos impedidos de regressar às suas casas nas áreas de Tulkarm e Jenin, no norte da Cisjordânia, revelou a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
O bloqueio prolonga-se há sete meses, com estradas cortadas, habitações destruídas e presença militar permanente. “Somos refugiados pela segunda vez”, disse à Lusa um agricultor de Tulkarm, agora a viver em abrigo improvisado e dependente de ajuda alimentar.
Economia paralisada
A impossibilidade de regressar afetou gravemente agricultores e comerciantes, privados das suas terras e negócios. Organizações locais apontam um aumento da pobreza extrema e alertam para o colapso de redes comunitárias. “Não é apenas uma operação militar; é a desintegração de um tecido social”, afirmou um líder comunitário de Jenin.
Controvérsia internacional
Israel alega que a “Iron Wall” é essencial para prevenir ataques armados, mas a ONU e várias ONG acusam a medida de constituir deslocação forçada, em violação do direito internacional humanitário. “Impedir o regresso de civis por tempo indeterminado é punição coletiva”, declarou um porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Futuro incerto
Sem data para o levantamento das restrições, muitas casas permanecem destruídas ou ocupadas. A UNRWA teme que a situação se torne permanente, consolidando mais um capítulo de deslocação prolongada na história palestiniana. Enquanto isso, famílias continuam a viver a poucos quilómetros das suas casas, mas sem poder atravessar as barreiras que as separam da vida que perderam.