O corpo tremia, mesmo meio século depois. À porta da sua casa nos arredores de Maputo, Adelino Tivane, hoje com 84 anos, segura uma fotografia amarrotada de juventude. “Foi antes de me levarem. Só porque me viram numa reunião da cooperativa”, murmura. Durante três meses em 1973, esteve preso sem julgamento numa cela da PIDE em Nampula. Saiu com ossos partidos, dois dentes a menos e o silêncio como única herança. Nunca teve indemnização, pedido de desculpa ou reconhecimento.
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