Durante décadas, os portugueses viveram num país onde cada palavra podia ser vigiada, cada gesto interpretado, cada silêncio mal compreendido. Sob o Estado Novo, a vigilância era uma teia apertada que não se via, mas sentia-se em cada canto: nas conversas murmuradas, nas cartas lidas antes de chegarem ao destinatário, no clique estranho ao telefone que denunciava uma escuta. A repressão, embora nem sempre visível, era permanente e psicológica. E isso bastava para domesticar a maioria.
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Crimes Sem Rostos: Os Informadores da PIDE Que Nunca Foram Julgados
Eles não usavam farda. Não batiam nas celas. Mas estavam em todo o lado.
Na fila da padaria, no balcão da repartição, no pátio da universidade, entre colegas, vizinhos, até nas próprias famílias. Eram os informadores da PIDE, também conhecidos como bufos — civis que, por convicção, medo ou interesse pessoal, delatavam cidadãos ao serviço da polícia política do Estado Novo.