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Resumo

  • No seu novo relatório, a MSF afirma que o sistema promovido pela Gaza Humanitarian Foundation (GHF), com apoio de Israel e dos Estados Unidos, não combate a fome — consolida-a como forma de controlo.
  • Segundo a MSF, o sistema actual foi deliberadamente desenhado para não satisfazer as necessidades reais da população, mas sim para criar uma aparência de ajuda, enquanto mantém a população em níveis mínimos de sobrevivência.
  • Através da limitação severa da entrada de ajuda, da escolha dos alimentos distribuídos e do controlo militarizado dos pontos de acesso, o sistema da GHF configura, segundo a organização, um uso político e estratégico da fome.

O modelo actual de ajuda alimentar em Gaza está a falhar intencionalmente no seu objectivo de aliviar a crise humanitária, denuncia a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). No seu novo relatório, a MSF afirma que o sistema promovido pela Gaza Humanitarian Foundation (GHF), com apoio de Israel e dos Estados Unidos, não combate a fome — consolida-a como forma de controlo.

“Trata-se de um sistema que não quer alimentar as pessoas, quer discipliná-las através da escassez”, lê-se no documento.

Quantidades insuficientes e comida imprópria

Em vez de fornecer alimentos variados e ajustados às necessidades nutricionais, o modelo actual distribui pacotes uniformes, despersonalizados e inadequados. Os alimentos são sobretudo secos, enlatados, difíceis de preparar e, por vezes, impróprios para consumo devido à falta de acesso a água potável ou energia.

Em muitos casos, as famílias recebem farinha, arroz e leguminosas sem meios para os cozinhar. O resultado: um número crescente de casos de desnutrição aguda e doenças gastrointestinais nos centros de saúde da MSF.

“Estamos a assistir a um colapso nutricional induzido. A comida chega tarde, em má condição e em quantidade insuficiente”, afirmou uma nutricionista da organização, actualmente a trabalhar em Khan Younis.

Redução deliberada da ajuda

Desde a substituição do sistema da ONU pela GHF, o número de pontos de distribuição caiu drasticamente — de mais de 400 para apenas quatro. Esta centralização não só dificulta o acesso físico à ajuda, como impede a resposta a necessidades específicas de famílias numerosas, idosos ou pessoas com condições crónicas de saúde.

Segundo a MSF, o sistema actual foi deliberadamente desenhado para não satisfazer as necessidades reais da população, mas sim para criar uma aparência de ajuda, enquanto mantém a população em níveis mínimos de sobrevivência.

“O objectivo não é acabar com a fome, é torná-la uma rotina controlável e controlada”, afirma o relatório.

Dependência forçada, dignidade perdida

Com as infraestruturas civis destruídas e sem rendimento, a maioria da população de Gaza não tem qualquer alternativa à ajuda humanitária. No entanto, a forma como esta é prestada gera uma relação de dependência forçada, em que os civis são forçados a aceitar condições indignas para garantir a sobrevivência.

A MSF documenta centenas de casos de pessoas que deixaram de frequentar os postos da GHF por vergonha, medo ou puro esgotamento físico. “Preferem passar fome do que voltar a ser humilhadas”, relata um psicólogo da organização.

A fome como ferramenta política

Mais do que negligência, o relatório da MSF denuncia uma intencionalidade clara na gestão da crise alimentar em Gaza. Através da limitação severa da entrada de ajuda, da escolha dos alimentos distribuídos e do controlo militarizado dos pontos de acesso, o sistema da GHF configura, segundo a organização, um uso político e estratégico da fome.

“A fome não é uma consequência inevitável da guerra. É uma escolha. E neste caso, uma escolha institucionalizada”, acusa a MSF.A organização médica apela à comunidade internacional para denunciar este modelo de assistência como inaceitável, exigindo o regresso imediato de uma coordenação humanitária civil, transparente e baseada em necessidades reais.

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