Opinião: a Constituição proíbe a tortura, o Código Penal prevê jurisdição em certos casos e a Convenção da ONU obriga Portugal a levar a denúncia a sério.
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Rangel reconheceu a Palestina e calou-se quando os portugueses falaram em maio
Opinião: Paulo Rangel reconheceu a Palestina e defendeu a solução de dois Estados. Por isso, o silêncio sobre portugueses detidos é mais difícil de explicar.
Portugal cala-se quando os seus cidadãos são torturados em águas internacionais
Opinião: quando um cidadão português denuncia tortura por uma potência estrangeira, a questão deixa de ser a flotilha e passa a ser a obrigação do Estado.
Tortura sistemática em Israel: o que dizem ONU e ONGs depois dos relatos da flotilha
O Comité da ONU contra a Tortura apontou para uma política de Estado de facto de tortura e maus-tratos. Relatos da flotilha entram nesse quadro.
O que acontecia dentro da prisão de Caxias?
A prisão de Caxias foi uma das cadeias políticas centrais do Estado Novo. O que ali acontecia revela como isolamento, interrogatório e medo sustentavam a repressão da ditadura.
Memórias Fragmentadas: As Sequelas Psicológicas da Tortura da PIDE
“Durante anos, acordava a meio da noite a gritar. Mas não sabia porquê.”
O testemunho é de Ana P., filha de um preso político torturado pela PIDE em 1967. O pai morreu em 1993 sem nunca ter conseguido falar do que viveu na António Maria Cardoso. O trauma foi-lhe tatuado na carne e herdado, em silêncio, pela família. E não é caso único. Milhares de vítimas da repressão salazarista carregaram feridas invisíveis, quase sempre ignoradas — pela sociedade, pelo Estado, pela própria história.
Quando o Silêncio Mata: O Papel dos Médicos ao Serviço da PIDE
“Não há marcas visíveis. Está apto para interrogatório.”
A frase, presente em vários relatórios da polícia política portuguesa, não era dita por um agente da PIDE. Era, na maioria dos casos, escrita ou confirmada por um médico. No Estado Novo, a medicina não foi sempre neutra. Em muitas situações, foi cúmplice — cúmplice activa ou cúmplice por omissão. O corpo clínico das prisões políticas e dos centros de detenção desempenhou um papel central na manutenção da repressão.
A Máquina do Medo: A Engenharia Psicológica da PIDE
“Sabemos onde estudam os seus filhos. Quer continuar a jogar o jogo da coragem?”
Era assim que começavam muitos interrogatórios na António Maria Cardoso, sede da polícia política do Estado Novo. Antes de qualquer murro, vinha o sussurro. Antes do choque elétrico, a ameaça familiar. A PIDE não foi apenas uma máquina de tortura física. Foi, acima de tudo, uma engenharia psicológica de alta precisão, montada para submeter não só o corpo dos dissidentes, mas sobretudo a sua mente.
O Pós-Tortura: Vidas em Ruínas e a Herança Invisível da Repressão da PIDE
O silêncio é um ruído que nunca se cala. Para muitos dos sobreviventes da repressão política do Estado Novo, o fim da ditadura não trouxe verdadeira liberdade. Trouxe apenas um novo tipo de cárcere: o da memória. Depois da tortura, veio o esquecimento, a solidão, a ausência de reconhecimento institucional e a lenta erosão da saúde mental e física.
Vítimas Invisíveis: As Mulheres Torturadas Pela PIDE
“A primeira bofetada veio antes de qualquer pergunta.” Assim começa o testemunho de Maria Alice Correia, detida pela PIDE em 1963 por distribuir panfletos contra a guerra colonial. Tinha 22 anos. Foi levada para a António Maria Cardoso, onde esteve quase três semanas sem contacto com o exterior. Foi despida à força. Foi insultada, esbofeteada, isolada. Nunca foi acusada formalmente. Saiu em silêncio. Mas nunca mais dormiu em paz.